Política

Rogério Marinho vê capitalismo de compadrio no caso Master

Rogério Marinho vê capitalismo de compadrio no caso Master

Rogério Marinho vê capitalismo de compadrio no caso Master

Líder oposicionista relaciona aportes públicos, contratos bilionários e atuação do governo em favor do grupo. Foto: Andressa Anholete

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, aponta que a relação entre o governo Lula e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revela uma ligação política com efeitos bilionários sobre o setor público, a saúde e o sistema financeiro.

Para ele, o caso expõe a atuação do Palácio do Planalto em favor de um banqueiro que teve acesso ao presidente da República, recebeu apoio em momentos decisivos e viu empresa ligada ao seu grupo ser beneficiada por crédito público, aportes estatais e contratos de longo prazo com o Ministério da Saúde.

A avaliação destaca que o Banco Master deixou um custo de R$ 57,4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), enquanto a Biomm, farmacêutica controlada por Vorcaro, recebeu R$ 203 milhões em crédito, R$ 133 milhões em equity e contrato de R$ 140,6 milhões anuais por dez anos com o Ministério da Saúde.

O senador destaca que Lula inaugurou pessoalmente a fábrica da empresa em 2024 e que, após a crise, o governo teria articulado a entrada do BTG Pactual na farmacêutica. “O caso Banco Master/Biomm desnuda as engrenagens do capitalismo de compadrio brasileiro”, aponta trecho da 127ª edição do Observatório da Oposição, relatório assinado por Rogério Marinho.

A publicação periódica reúne análises das principais movimentações dos órgãos públicos federais na última semana, com o objetivo de monitorar as ações dos Três Poderes e subsidiar os senadores da oposição quanto aos temas mais sensíveis e prejudiciais ao País.

Na área econômica, o relatório afirma que o governo Lula adotou em 2026 uma sequência de medidas fiscais, parafiscais e de crédito com impacto superior a R$ 100 bilhões, incluindo crédito subsidiado, renegociação de dívidas, ampliação de programas sociais, subvenções, antecipação de precatórios e expansão de gastos discricionários.

O documento também analisa a ata da 278ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinaliza juros altos por mais tempo em meio à inflação resistente e ao risco fiscal.

A publicação destaca que o Banco Central manteve tom cauteloso mesmo após a redução da Selic para 14,50% ao ano, diante da inflação de serviços, do mercado de trabalho aquecido e das expectativas acima da meta. Segundo o relatório, a deterioração das expectativas pode manter o crédito caro para consumidores e empresas por período prolongado.

No eixo do agro, o Observatório alerta que a inércia do governo Lula pode levar o setor a um quadro de colapso financeiro. A análise cita dados da Federação da Aricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), segundo os quais a chamada “carteira estressada” do crédito rural, formada por operações inadimplentes, renegociadas, prorrogadas ou em atraso, já supera R$ 171 bilhões.

O relatório também aponta que a inadimplência do crédito rural livre chegou a quase 14%, em cenário marcado por perdas climáticas, crédito caro, alta de fertilizantes e fragilidade do seguro rural.

Na segurança pública, o relatório aponta contradição entre o discurso oficial de proteção às mulheres e o avanço da violência no País, com 399 feminicídios registrados no primeiro trimestre de 2026, maior patamar para o período desde o início da série histórica do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), em 2015.

A edição também critica o plano de R$ 11 bilhões anunciado pelo governo Lula para a segurança, ao afirmar que apenas R$ 1 bilhão representa investimento direto e que os outros R$ 10 bilhões correspondem a linhas de crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aos estados.

Tribuna do Norte

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