Educação

Movimentos sociais cobram retorno da Casa da Estudante

Movimentos sociais cobram retorno da Casa da Estudante

Movimentos sociais cobram retorno da Casa da Estudante

Atualmente, mais de 30 manifestantes ocupam o espaço e se revezam para garantir a segurança e a manutenção do prédio ocupado| Foto: Magnus Nascimento

O prédio histórico da antiga Casa da Estudante, na Cidade Alta, em Natal, foi ocupado no último sábado (11) por movimentos estudantis e sociais, como Olga Benário, Correnteza, Rebele-se e a Corrente Revolucionária. O grupo cobra a reativação do espaço como moradia estudantil para mulheres, além de respostas do Estado sobre possíveis diálogos em torno da demanda estudantil, sobretudo para meninas e mulheres vindas do interior do estado. De acordo com os ocupantes, o imóvel passou por uma reforma recente que custou mais de R$ 400 mil e pode abrigar até 72 estudantes.

Atualmente, mais de 30 manifestantes ocupam o espaço e se revezam em turnos para garantir a segurança e a manutenção do prédio ocupado. Segundo o grupo, o fechamento da unidade dificulta a permanência de mulheres na educação, e a ocupação seguirá até que o poder público discuta a reivindicação. Para os manifestantes, a falta de moradia estudantil é um dos principais fatores de exclusão de mulheres no ensino superior.

Ainda no sábado (11), o Governo do RN emitiu uma nota reafirmando que o imóvel possui destinação pública definida, voltada à implantação da Casa da Juventude Potiguar, equipamento integrante do Projeto CAIS Juventudes, concebido para ampliar o atendimento às juventudes do Rio Grande do Norte. “O espaço não se encontra abandonado. Ao contrário, está em fase de organização e preparação para iniciar um novo ciclo de funcionamento, com uma finalidade pública voltada à promoção de oportunidades, cidadania e inclusão para a juventude potiguar.” Além disso, o Governo afirmou que seguirá priorizando o diálogo e a busca por uma solução pacífica.

Procurada pela equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE durante a manhã desta segunda-feira (13), a Semjidh informou que estava realizando uma reunião de alinhamento sobre essa pauta, a fim de consolidar as informações e os encaminhamentos relacionados ao tema, e que iria retornar com as respostas aos questionamentos enviados pela equipe. No entanto, até o fechamento desta matéria, a TRIBUNA DO NORTE não obteve resposta à demanda.

Durante a reportagem da TRIBUNA DO NORTE na manhã desta segunda-feira (13), a equipe retornou ao local mais de um mês após veicular a notícia da extinção da Casa da Estudante. O prédio estava limpo e em boas condições, diferentemente do que foi visto à época, com acúmulo de lixo na escadaria. De acordo com a mossoroense Lara Nascimento, de 20 anos, estudante de Ciências Sociais na UERN, os auxílios financeiros oferecidos pelas universidades são considerados insuficientes para garantir a permanência de alunas de baixa renda na capital. “Negar essa moradia é negar o direito ao estudo e o acesso a ele. Faz com que a educação seja um privilégio para poucas pessoas”, aponta.

A coordenadora do Movimento Olga Benário, Kivia Moreira, de 24 anos, estudante de Direito na UFRN, explica que o movimento está aberto a propostas do Executivo estadual, contanto que haja uma garantia concreta de assistência estudantil habitacional para as mulheres: “A gente é apegado à causa e não à casa. Se houver um compromisso real, um acordo mesmo, escrito, de que o governo vai viabilizar um novo espaço de moradia tendo uma política pública direcionada para nós, é importante. O que não pode é esperar”, destaca Kivia.

Em 2021, o corte definitivo de água e energia elétrica forçou a saída das últimas seis moradoras e, com o esvaziamento, o prédio, tombado pelo patrimônio histórico estadual, foi alvo de saques e vandalismo. A reforma recente recuperou a estrutura física, mas o impasse sobre quem ocupará as salas e alojamentos da Casa permanece. De acordo com a coordenadora do Olga Benário, a manifestação é um combate ao déficit habitacional enfrentado pelas estudantes. “Esse espaço também é um espaço de combate à violência contra as mulheres. E no RN estão aumentando os índices de violência contra as mulheres e uma das maneiras de acabar com a violência é que elas tenham autonomia financeira”, pontua Kivia.

Movimentos sociais emitem nota de repúdio

Em resposta ao ocorrido, 31 organizações da sociedade civil, movimentos sociais e entidades estudantis, incluindo o próprio CEJUV, a União Estadual dos Estudantes (UEE-RN) e diversos DCEs, publicaram uma nota oficial conjunta. No documento, os assinantes manifestaram forte repúdio, classificando a ação como “violenta e oportunista”. Embora reconheçam a legitimidade e a urgência da pauta de moradia estudantil, as entidades criticaram o Movimento Correnteza e a UP por nunca terem participado das construções no conselho e, agora, invadirem um prédio prestes a ser entregue.

Os movimentos que assinam a nota argumentam que a ocupação prejudica diretamente a população jovem em situação de extrema vulnerabilidade, pois bloqueia o início de atendimentos sociais essenciais, como cursos de formação profissional, apoio à permanência estudantil e programas de prevenção à violência e ao uso de drogas (desenvolvidos em parceria com a SENAD e o IFRN).

Como encaminhamento, o grupo propôs que o Governo do RN realize um diagnóstico para mapear os estudantes que realmente necessitam de assistência habitacional e utilize o CAIS Juventudes para fazer essa triagem de forma organizada. Por fim, exigiram a desocupação imediata do prédio para que o cronograma de mobiliamento e inauguração do centro possa ser cumprido.

Tribuna do Norte

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