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Surto nos EUA: entenda o que é a ciclosporíase e como evitar a infecção

Surto nos EUA: entenda o que é a ciclosporíase e como evitar a infecção

Surto nos EUA: entenda o que é a ciclosporíase e como evitar a infecção

Autoridades de saúde investigam a possível relação entre os casos e o consumo de folhas verdes cruas, como alface, mas ainda não há uma conclusão | Foto: Freepik

Mais de 3,7 mil pessoas foram diagnosticadas com ciclosporíase nos Estados Unidos neste ano. Foram 397 casos em Ohio e 3.309 em Michigan, que enfrenta o pior surto da doença de sua história.

Até o momento, nenhum alimento foi confirmado como origem da contaminação. Autoridades de saúde investigam a possível relação entre os casos e o consumo de folhas verdes cruas, como alface, mas ainda não há uma conclusão.

A doença é uma infecção intestinal causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, transmitido principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Embora seja considerada incomum, ela pode ser confundida com outras infecções gastrointestinais devido à semelhança dos sintomas.

Como ocorre a contaminação?

A infecção acontece quando a pessoa ingere água ou alimentos contaminados com fezes humanas que contenham o protozoário.

Segundo a infectologista Carolina Ponzi, integrante do Comitê de Infecções Comunitárias da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o Cyclospora não é transmitido diretamente de uma pessoa para outra. Isso ocorre porque o parasita eliminado nas fezes precisa permanecer dias ou semanas no ambiente até completar seu desenvolvimento e se tornar capaz de provocar a doença.

Nesse período, frutas, verduras, legumes, ervas frescas e água contaminada podem funcionar como veículos de transmissão. Após ser ingerido, o protozoário libera formas infectantes no trato gastrointestinal, invade as células do intestino delgado e passa a se multiplicar, como explica o Manual das Doenças Transmitidas por Alimentos, elaborado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

“Após um período de incubação de cerca de uma semana, o parasita invade as células da mucosa do intestino delgado, provocando inflamação e reduzindo a capacidade de absorver água e nutrientes. O resultado é uma diarreia aquosa intensa, às vezes descrita como ‘explosiva’, acompanhada de perda importante de líquidos”, afirma Carolina.

Sintomas

Os sintomas costumam surgir cerca de uma semana após a contaminação e incluem:

diarreia aquosa intensa;

cólicas e dor abdominal;

distensão abdominal e gases;

náuseas;

perda de apetite;

perda de peso;

fadiga;

vômitos e febre baixa, em alguns casos.

A duração do quadro clínico é uma das principais características da ciclosporíase e ajuda a diferenciá-la de outras infecções. “Sem tratamento, os sintomas podem persistir por semanas ou apresentar melhora e recaídas, o que não é tão comum em muitas gastroenterites virais”, afirma Carolina.

Embora pessoas de qualquer idade possam desenvolver a doença, crianças pequenas, idosos, gestantes e indivíduos imunossuprimidos apresentam maior risco de desidratação, evolução prolongada e complicações nutricionais.

Diagnóstico e tratamento

A pesquisa de Cyclospora não faz parte dos exames parasitológicos de rotina e depende de testes laboratoriais específicos, motivo pelo qual alguns casos podem ser confundidos com outras causas de diarreia.

Segundo Carolina, quando a infecção é confirmada, o tratamento costuma gerar bons resultados. “O tratamento de escolha é o antibiótico sulfametoxazol associado à trimetoprima. Em geral, a resposta é boa e a melhora ocorre em poucos dias após o início da medicação, embora a recuperação completa possa levar uma ou duas semanas.”

Importância de higienizar os alimentos

Higienizar os alimentos é uma das principais formas de reduzir o risco de infecção. O Manual também destaca que, durante surtos, cozinhar os alimentos e utilizar água fervida pode ajudar a diminuir o risco de transmissão.

Em casa, a orientação é lavar frutas, verduras e legumes e fazer a higienização das hortaliças com solução de hipoclorito de sódio própria para alimentos. “Essa recomendação deve ser mantida, pois reduz o risco de várias doenças transmitidas por alimentos. Entretanto, não há garantia de eliminação do Cyclospora”, diz Carolina. “O parasita apresenta relativa resistência aos desinfetantes usados rotineiramente e pode aderir firmemente à superfície dos vegetais. Portanto, a higienização diminui o risco, mas não oferece proteção absoluta “

Quais cuidados tomar ao comer fora de casa?

Alguns cuidados ajudam a diminuir o risco de contaminação em restaurantes, lanchonetes ou durante viagens. “Embora o consumidor não consiga identificar um alimento contaminado visualmente, escolher locais confiáveis reduz o risco”, diz Carolina.

Estadão Conteúdo

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