Requalificação na Rua João Pessoa será concluída até o fim do ano

Requalificação na Rua João Pessoa será concluída até o fim do ano
Iniciada em maio de 2023, a obra vem sendo alvo constante de cobranças de comerciantes| Foto: Júnior Santos
Com aproximadamente 70% de execução, as obras de requalificação da Rua João Pessoa, na Cidade Alta, entraram na última fase e devem ser concluídas até dezembro. O trabalho tem como foco o trecho entre a Rua Princesa Isabel e a Avenida Rio Branco, além do serviço de zeladoria nos trechos já entregues pela Prefeitura.
Iniciada em maio de 2023, a obra vem sendo alvo constante de cobranças de comerciantes que aguardam a conclusão dos serviços e a retomada do comércio local. De acordo com o secretário-adjunto de trânsito da STTU, Newton Filho, a morosidade na entrega foi motivada por atrasos no processo de retirada da posteação e fiação, furtos, problemas de execução do projeto e importação de material. “Então, o que dava para ser concluído foi sendo concluído, como o trecho da Princesa Isabel até a Catedral Nova, mas ainda faltando retirar o posteamento e a fiação”, destaca.
O trecho atualmente em execução exigia a remoção de 100% da fiação. Ele compartilha que o serviço é de responsabilidade da Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur), que conseguiu finalizar os trâmites necessários junto à Cosern. A partir disso, a expectativa é que dentro de 60 dias a região já esteja sem postes e fios, enquanto a STTU vai realizar, em paralelo, as obras de reestruturação das calçadas.
“A gente pretende, até o final do ano, concluir 100% esse trecho entre a Rio Branco e a Princesa Isabel, mas também será feito um trabalho de manutenção e conservação do restante da via. [A expectativa] é entregar uma via com um piso diferente e com trecho coberto. Nessa região [trecho entre a Rua Princesa Isabel e a Avenida Rio Branco] vai ter uma área de apresentação artística. Então vamos entregar, na verdade, uma espécie de alameda para que as pessoas tenham a percepção de que estão numa área mais confortável e sejam atraídas pelo comércio”, compartilha Newton Filho.
O secretário-adjunto destaca, ainda, a importância de a população contribuir com a manutenção dos serviços entregues: “Nos trechos que entregamos, encontramos vandalismo, como bancos e balizadores quebrados. Mas a prefeitura vai concluir essa etapa [final] e, também, fazer uma limpeza geral para que seja entregue uma avenida, num período comemorativo de compras aquecidas, com espaço 100% reestruturado”, aponta.
Em relação ao valor total de investimentos na Rua João Pessoa, o secretário-adjunto aponta que existem dois contratos para execução dos serviços, sendo um da Semsur e outro da STTU. No caso deste último, aponta, o valor é de aproximadamente R$ 3,5 milhões.
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE questionou a Prefeitura do Natal sobre o orçamento total das obras na João Pessoa. Até o fechamento desta edição, não obtivemos retorno. O espaço segue aberto.
Comerciantes relatam impacto com serviços
Enquanto a obra segue em curso, comerciantes relatam dificuldade de manter o movimento das vendas e reclamam da insegurança para trafegar na Rua João Pessoa. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou o local na manhã desta segunda-feira (10) e constatou que o acesso à boa parte das lojas depende do desvio de estruturas de ferro, pedras e buracos, problema que se soma ao barulho produzido pelas intervenções.
A vendedora Mari França Oliveira, de 54 anos, trabalha em uma loja de calçados e relata que as obras têm afastado os clientes e representado risco para a segurança dos idosos: “A Cidade Alta é um comércio frequentado por pessoas de mais idade, que não gostam de shopping e vêm comprar aqui. 50% do nosso público [na loja] é assim, mas não estão vindo porque caem direto nessa construção”, compartilha.
Quem tem sentido o problema na pele é o aposentado Mario Filho, de 81 anos, que sempre frequentou a Cidade Alta e hoje evita trafegar pelo local: “Eu tenho dificuldade de locomoção e [o deslocamento aqui] piorou muito, com muitos obstáculos e buracos, mas eu acredito que vai melhorar em algum momento”.
No último fim de semana, período em que o Dia dos Pais deveria movimentar o comércio local, Mari França Oliveira aponta que ‘praticamente não teve’ fluxo de clientes. Embora a obra tenha uma nova previsão de conclusão, a vendedora compartilha não alimentar mais esperanças de uma solução. “Existia uma vida aqui na João Pessoa. Depois que interditaram aqui, a cidade acabou, de verdade. Várias lojas fecharam na cidade”, completa.
A perspectiva da comerciante é acompanhada pela vendedora Rose Augusta, de 55 anos, que atua em uma loja de vestuário. Em frente ao estabelecimento, além do comprometimento de parte da calçada pelo canteiro de obras, o barulho gerado pelo serviço é intenso e o cuidado para não tropeçar nos materiais precisa ser redobrado.
“O pessoal, às vezes, fica topando nas obras. Tem até cliente que já pensou que essa obra era da loja e passou direto. Então isso dificulta um pouco [as vendas]. A clientela, muitas vezes, não quer vir porque é muito ruim para caminhar. Sabemos que pode ter um bom resultado depois, mas todo cliente que entra aqui pergunta ‘esse negócio vai acabar quando?’”, compartilha.
Tribuna do Norte