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Espera por reformas no CAIC impacta formação olímpica

Espera por reformas no CAIC impacta formação olímpica

Espera por reformas no CAIC impacta formação olímpica

Foto: Adriano Abreu

A degradação estrutural do Centro de Desportos Educacional Geração 2000, o CAIC de Lagoa Nova, expõe o déficit de infraestrutura esportiva no Rio Grande do Norte e cria barreiras para a formação de novos atletas olímpicos. Sem uma reforma definitiva desde a sua fundação, há mais de 30 anos, o complexo de 50 mil metros quadrados, encravado na Avenida Jerônimo Câmara, depende da aprovação de um projeto de R$ 20.011.768,67 no Ministério do Esporte (MEsp) para voltar a operar com capacidade plena e cumprir o papel para o qual foi idealizado.

A realidade física do equipamento afeta diretamente quem busca o alto rendimento. O relato do atleta Idalberto Lima sobre as condições precárias de treinamento ilustra o cenário enfrentado por quem depende dos espaços públicos de Natal para alimentar o sonho olímpico. O desgaste das pistas, a falta de manutenção adequada e a interdição de ginásios limitam o desenvolvimento técnico local. Esse gargalo estrutural restringe as ações dos treinadores que ensinam os primeiros passos do atletismo a crianças e jovens, além de dificultar o surgimento de talentos capazes de repetir os feitos da velocista Magnólia Figueiredo e do medalhista Vicente Lenílson.

Ambos conseguiram driblar as adversidades de suas respectivas épocas para alcançar os Jogos Olímpicos, mas o atual distanciamento dos padrões modernos de treinamento torna o caminho mais complexo para a nova geração. Medalhista de prata no salto em distância na última edição do Troféu Brasil, Idalberto resume com preocupação o processo de perda de espaço da modalidade no estado. “O atletismo do RN está se acabando. A Federação tem de se virar para realizar os campeonatos. Uma pista não consegue receber a competição inteira. Então uma parte vai para um local e a segunda para outro”, lamenta.

A declaração reflete a realidade das duas principais estruturas utilizadas pelos atletas em Natal. Na UFRN, a pista está impraticável, embora o campo ainda permita a realização de algumas provas. No CAIC, ocorre o inverso: o mato tomou conta do campo, enquanto a pista, apesar dos problemas acumulados, ainda permite comportar parte dos treinamentos de corrida e algumas provas. Já o corredor de aproximação do salto em distância está carcomido pelo tempo e pela ausência de manutenção.

O reflexo direto da falta de estrutura e de incentivos sólidos é a migração. Competidores potiguares passam a defender clubes e federações de outros estados em busca de melhores condições de trabalho. É o caso do próprio Idalberto, que mora e treina em Natal, mas representa o Projeto Atletismo Campeão, de Recife. A mudança ocorreu pela necessidade de encontrar em Pernambuco o suporte que nunca recebeu no estado onde nasceu.

“Acaba sendo uma questão financeira. Em Pernambuco eu recebo pelo estado através do clube. O clube também me dá passagens e oferece coisas que aqui jamais me ofereceram. O Bolsa Atleta, que é daquilo que eu vivo, acaba sendo mais certo lá do que aqui”, explica Idalberto Lima. O atleta não esconde que se sente mais valorizado fora do RN.

O Governo do Estado reconhece o movimento, embora atribua a mudança de representação a uma decisão individual. “Quanto à questão dos atletas buscarem representar clubes de outros estados, é sem dúvida nenhuma o interesse de garantir boas oportunidades, é uma questão puramente pessoal”, afirma João Pessoa, atual subsecretário do Esporte e do Lazer do RN. “O Estado entende as dificuldades, e percebe o quanto é fundamental a presença de Centros de Treinamentos. Por isso seguimos buscando a concretização da instalação desses equipamentos em nosso estado.”

Para Idalberto, entretanto, a busca por apoio fora do RN não apaga a frustração provocada pelas dificuldades enfrentadas antes mesmo de o atleta alcançar resultados expressivos. A falta de estrutura, recursos e reconhecimento chegou a fazer o jovem considerar o abandono da carreira. “Antes de chegar ao topo, antes de pegar uma medalha dessas, o atleta vai ao fundo do poço e pensa em desistir. Mas, se você pensar apenas nas dificuldades, nunca vai fazer nada. A gente luta, sofre com a falta de apoio e se vira como pode para chegar onde almeja.”

A principal aposta da gestão estadual para reverter o quadro é o projeto de reestruturação do CAIC, elaborado e protocolado em 2025. “Conforme fui informado, o projeto da reforma do CAIC foi devidamente protocolado no MEsp, o memorial descritivo comporta o orçamento de 20 milhões. Mas até este momento não tivemos a homologação do convênio”, explica João Pessoa. A execução da obra não ocorrerá de imediato, mesmo após uma eventual liberação de recursos em Brasília. “Se o convênio for aprovado, o projeto será realizado em etapas”, antecipa o gestor.

Enquanto o convênio não é homologado e a reforma permanece no papel, a sobrevivência do atletismo potiguar dependerá da combinação entre estruturas incompletas e o esforço individual de atletas e treinadores.

Tribuna do Norte

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