Margem Equatorial e OPC geram otimismo no setor petrolífero do RN

Margem Equatorial e OPC geram otimismo no setor petrolífero do RN
Margem Equatorial brasileira concentra expectativas de novas descobertas e investimentos na exploração de petróleo e gás. Foto: DIVULGAÇÃO
A recente descoberta de indícios de petróleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras em águas ultraprofundas do Amapá reforça a importância estratégica da Margem Equatorial para a reposição das reservas brasileiras e é vista com otimismo no Rio Grande do Norte. A participação da Bacia Potiguar — que engloba áreas do RN e Ceará — no leilão previsto para outubro é outro fator que amplia as expectativas. A região terá a maior presença entre as bacias sedimentares nordestinas incluídas no 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC6), com mais de mil quilômetros quadrados de áreas terrestres colocadas em disputa.
Para representantes do setor no estado, as condições irão ajudar na retomada da expansão do mercado local, com impactos na geração de emprego e na ampliação da produção. No RN, as áreas da Bacia que integrarão o leilão somam 1.023,442 km², espalhados por municípios do Oeste, Vale do Açu e região litorânea ao Norte.
Marcos Brasil, presidente do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do RN (Sindipetro), avalia que a exploração da Margem Equatorial, caso se concretize, representará a retomada de investimentos, com importantes impactos para a cadeia de empregos.
“Se houver avanços, nossa produção poderá passar dos 100 mil barris/dia. Com isso, os valores relativos aos royalties que são repassados ao estado e aos municípios podem triplicar. Outra expectativa é em relação aos postos de trabalho, que hoje somam cerca de 6 mil e podem passar de 10 mil”, aponta o presidente do Sindipetro. Ele também destaca os impactos na demanda por serviços de empresas locais, especialmente na região da Costa Branca, e o aumento na procura por materiais no comércio daquela área.
Para o presidente da Redepetro, Criste Jones, a descoberta no Poço de Morpho, no Amapá, e a inclusão de áreas da Bacia Potiguar em futuros ciclos de OPC precisam ser observadas com bastante atenção pelo RN diante da possibilidade de reabertura da agenda de investimentos em exploração e produção. O otimismo se dá, segundo ele, face à infraestrutura já existente no estado, que pode colaborar mais facilmente para a retomada.
“É possível aproveitar a cadeia produtiva que já possuímos, conhecimento acumulado, mão de obra especializada, empresas fornecedoras e infraestrutura construída ao longo de décadas nessa atividade petrolífera”, aponta.
Ele destaca a rede de fornecedores do estado como um fator estratégico para a retomada do setor. “Temos importantes fornecedores em Mossoró e também às margens de Areia Branca, que tem um porto-ilha, o qual pode servir de apoio para embarques. Além disso, temos do Aeroporto de Mossoró, que dará suporte às empresas especializadas”, pontua Criste Jones.
Desafios
Apesar do potencial de retomada, as fontes ouvidas pela reportagem apontam a existência de entraves que precisam ser superados. Marcos Brasil, do Sindipetro, diz que o principal desafio é a competitividade com outros estados.
“Precisa haver articulação política para fazer com que as grandes empresas tragam investimentos ao RN, para que se concretize aquilo que a gente espera dessa expansão: que possa atrair em torno de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões por ano em uma década”, afirma.
Criste Jones, da Redepetro, avalia que os principais desafios no RN são segurança jurídica e previsibilidade regulatória. “Empresas de exploração e produção de petróleo trabalham com projeção de longo prazo, então, é preciso que as regras estejam muito claras. Outro ponto é a questão ambiental, que enfrenta muita morosidade. Este é um ponto que precisa ser tratado com transparência e responsabilidade técnica”, pontua.
Robson Matos, gestor da área de petróleo e gás do Sebrae/RN, indica como desafio a qualificação profissional e empresarial e a articulação institucional.
“A cadeia precisa preparar trabalhadores e fornecedores. Isso significa formação técnica, certificações, segurança operacional, gestão, produtividade, inovação, transformação digital e sustentabilidade. Além disso, Governo, empresas, Sebrae, universidades, municípios, entidades empresariais e operadoras precisam construir uma agenda conjunta”, diz.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec) analisa que o estado possui diversas condições favoráveis para participar de uma eventual nova fase de investimentos na atividade de exploração e produção de petróleo e gás na Margem Equatorial. Segundo a pasta, em junho de 2026, o RN registrou produção de aproximadamente 26,64 mil barris de petróleo por dia e 1,03 milhão de m³ de gás natural por dia, totalizando cerca de 33,11 mil barris de óleo equivalente/dia, provenientes de 65 campos produtores.
“Esse histórico, associado à existência de empresas, fornecedores, infraestrutura e mão de obra especializada, cria condições para que o Estado esteja preparado para receber novos investimentos, caso os resultados exploratórios e as condições regulatórias e ambientais favoreçam o avanço dos projetos”, aponta a Sedec, em nota.
A reportagem procurou a Petrobras para buscar um posicionamento sobre a previsão de investimentos exploratórios para o estado, mas não houve retorno.
Margem Equatorial pode repor reservas
Se comprovado o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, a expectativa é de que os reservatórios na região garantam pelo menos mais 40 anos de produção, segundo a Petrobras. De acordo com a empresa, o óleo encontrado agora será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras para avaliar a qualidade e o potencial do poço. A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras porque pode ajudar a repor reservas de petróleo a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal tende a atingir o pico e começar a declinar.
O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial e 15 novos poços. Os próximos passos dependem do Ibama. O órgão ambiental analisa o pedido da estatal para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, sendo os últimos três anos de muita pressão da atual gestão da empresa, que obteve a liberação em outubro de 2025. A inglesa BP, dona de 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua participação para a Petrobras.
Em junho, a ANP aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Para que os blocos sejam efetivamente oferecidos, ainda é preciso cumprir a análise ambiental e a emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e do Clima.
Tribuna do Norte