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Natal avança 23 posições em ranking de competitividade, aponta o CLP

Natal avança 23 posições em ranking de competitividade, aponta o CLP

Natal avança 23 posições em ranking de competitividade, aponta o CLP

No ranking estadual, a capital potiguar mantém a primeira posição entre as seis cidades potiguares listadas – Foto: Arquivo TN

Natal ocupa o 157º lugar no ranking geral de competitividade dos municípios, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), entre 423 cidades de todo o Brasil. Em relação ao ano passado, a capital potiguar subiu 23 posições, com a melhora de áreas como o funcionamento da máquina pública e inserção econômica.

No pilar social, por outro lado, foi registrada queda em seis dos sete indicadores avaliados, como acesso à saúde, educação e saneamento.

No recorte regional, Natal aparece em 11º lugar entre as cidades mais competitivas, com variação negativa de duas posições em relação a 2025. Já no ranking estadual, a capital mantém a primeira posição entre as seis cidades potiguares listadas.

No recorte de indicadores, os melhores avanços foram registrados no funcionamento da máquina pública (+91), meio ambiente (+53) e inserção econômica (+29).

O CLP aponta, por outro lado, que a capital apresenta baixo desempenho no pilar “sociedade”, com destaque para a qualidade da educação, indicador no qual a cidade ocupa o 386º lugar, puxado pelo desempenho negativo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos finais do ensino fundamental.

O analista de Relações Governamentais e Competitividade do CLP, Wesley Henrique Barcelos, avalia que o resultado de Natal no pilar econômico pode ser considerado positivo e reflete um preparo da gestão para expansão da economia. “Natal ficou na 31ª colocação na dimensão da economia, ganhando nove posições”, aponta.

Nas ‘políticas finalísticas’ que compõem o eixo social, por outro lado, ele reconhece que há um desafio maior no município, mesmo com o trabalho realizado para alcançar eficiência da máquina pública. “Boa parte dos municípios da região Nordeste têm um pouco mais de dificuldade nesses eixos de políticas públicas mais finalísticas, mas não é uma dificuldade a nível Brasil”, compartilha.

Na avaliação do professor Carlos Alberto Medeiros, do Departamento de Ciências Administrativas da UFRN, a regressão nos indicadores do pilar ‘sociedade’ pode ser considerada preocupante, uma vez que essa dimensão corresponde a 42,4% da avaliação.

“Entre as capitais nordestinas, Natal supera apenas Maceió. Recife, na 69ª colocação nacional, e Teresina, na 90ª, são as capitais mais bem posicionadas. Assim, o avanço no ranking geral não deve encobrir a deterioração do social, que representa os resultados mais diretamente percebidos pela população”, completa.

De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla), Vagner Araújo, o desempenho negativo no pilar de ações voltadas à sociedade está associado a desafios que não competem apenas ao município. No caso do saneamento, ele aponta que a pasta tem atuado para cobrar a Caern.

“Sabemos que tem duas estações de tratamento de esgoto necessárias para isso: uma que já ficou pronta, na zona Norte, e outra que está em andamento. A rede coletora da zona Norte, que é a região menos atendida de esgoto, vai entrar em operação nos próximos meses”, completa.

No eixo de acesso à saúde, no qual Natal desceu 27 posições e ocupa o 281º lugar, Vagner Araújo destaca que a situação é afetada pela sobrecarga das unidades com pacientes do interior do Estado em virtude da falta de capacidade da rede estadual para atender à demanda.

“Isso é também um desafio que está sendo tratado e que vai requerer uma série de esforços, medidas e a atuação conjunta das três esferas de governo: federal, estadual e municipal”, aponta.

O índice do CLP aponta que os maiores problemas que puxam a regressão no acesso à saúde em Natal são a cobertura vacinal, com queda de 74 posições, e a cobertura na atenção primária, com queda de sete posições. O único subindicador que apresentou avanço foi o atendimento pré-natal, no qual a capital subiu 26 posições e está em 319º lugar.

RN sobe uma posição, mas crise fiscal é desafio

As discrepâncias entre os pilares do CLP também foram registradas pelo Rio Grande do Norte. O estado subiu uma posição no ranking de competitividade, ocupando o 15º lugar entre os estados do país e o 3º na região Nordeste, mas registrou regressão nas áreas de educação, solidez fiscal e segurança pública. Já nos campos de sustentabilidade ambiental, capital humano e eficiência da máquina pública, ocorreram variações positivas em relação ao ano passado.

Segundo os dados do CLP, a menor colocação foi no pilar de solidez fiscal, no qual o Rio Grande do Norte figura na 27ª posição, representando o maior desafio para ampliar a competitividade. Em relação ao ano passado, o estado caiu uma posição, resultado puxado principalmente pelo alto gasto com pessoal.

Segundo Wesley Henrique Barcelos, a posição do Estado no ranking geral pode ser considerada competitiva, uma vez que o desempenho no potencial de mercado revela aspectos como o aumento da qualidade de crédito para pessoa física. Em relação à solidez fiscal, por outro lado, ele observa que o resultado negativo acompanha o cenário observado em estados da região Nordeste.

“No pilar de solidez fiscal, o crescimento do Brasil foi negativo, de -5,9. Em relação aos estados da região Nordeste, o resultado foi -7,5. Então vemos uma dificuldade a nível Brasil que se aprofunda em estados que pertencem a região desse eixo Norte-Nordeste. Os únicos estados do país com crescimento dentro do pilar de solidez fiscal estão na Região Sul, que registrou média de crescimento de 5,5 pontos”, explica o especialista.

O professor Carlos Alberto Medeiros, por sua vez, traz uma análise mais focada na realidade estadual. Segundo ele, a atual fragilidade fiscal do estado restringe a capacidade do governo de manter e ampliar serviços, além de realizar investimentos e sustentar políticas públicas de longo prazo, com destaque para a área de educação pública.

Conforme destaca o docente, o Rio Grande do Norte aparece na última colocação no IDEB entre os 27 estados, caiu oito posições no atendimento da educação infantil e recuou três posições na frequência líquida do ensino médio.

“O ranking revela que o Estado ainda enfrenta dificuldades para transformar suas potencialidades econômicas em crescimento, equilíbrio fiscal e capacidade de investimento que permitam uma melhoria consistente da educação pública”, completa.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE questionou a Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz) sobre o desempenho negativo do Rio Grande do Norte no eixo fiscal e as medidas que estão sendo adotadas para melhorar a situação atual.

Em resposta, a pasta disse que vem apresentando ‘consistente evolução’ nos principais índices que comprometem a situação fiscal (gasto com pessoal, poupança corrente e liquidez) e que todos estão melhores em comparação ao início da gestão.

No comprometimento do gasto com pessoal, por exemplo, a Sefaz aponta que o estado registrou percentual de 56,12% no primeiro quadrimestre deste ano, enquanto no início da gestão esse índice era de 63,64%.

“As medidas de recuperação de receita e controle de despesas têm contribuído para uma melhora dos indicadores que compõem a solidez fiscal. Porém, o passivo financeiro acumulado herdado e a necessidade de melhorias de serviços públicos prestados à sociedade potiguar fazem com que os indicadores que compõem a solidez fiscal melhorem de forma gradual”, destaca.

Tribuna do Norte

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