Economia

Aluguéis: Natal tem 2ª maior rentabilidade do Nordeste

Aluguéis: Natal tem 2ª maior rentabilidade do Nordeste

Aluguéis: Natal tem 2ª maior rentabilidade do Nordeste

Ponta Negra, com R$ 51,2/m², foi o bairro com aluguel mais caro em Natal em abril de 2026, segundo o Índice FipeZap – Foto: Adriano Abreu

Natal registou rentabilidade de aluguéis residenciais de 7,85% ao ano, a segunda maior do Nordeste e a quinta mais alta do país, considerando as 22 capitais pesquisadas pelo Índice FipeZAP, em julho. O resultado ficou abaixo da rentabilidade registrada em Recife (8,47%), Cuiabá (8,31%), Belém (8,18%) e Manaus (7,99%). A média de retorno registrada em todo o Brasil foi de 6,14%, inferior, portanto, à rentabilidade da capital potiguar. Fontes ouvidas pela reportagem atribuem o momento atual a fatores como demanda reprimida e juros altos.

O preço médio do aluguel por metro quadrado em Natal ficou em R$ 44,26 em julho. Para Roberto Peres, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), o resultado é fruto do momento positivo que o mercado imobiliário de Natal presencia, graças às prescrições urbanísticas em vigor. “Áreas como Candelária e Capim Macio ganharam maior potencial construtivo e começam a atrair novos empreendimentos com a revisão do Plano Diretor.

Isso ajuda a explicar o aumento dos aluguéis”, analisa. “Há uma demanda reprimida por imóveis em Natal. Quando a oferta não consegue acompanhar essa demanda, os preços dos aluguéis naturalmente sobem. Por isso, a rentabilidade do aluguel também vem se destacando”, complementa.

O economista Robespierre do Ó analisa que há outros fatores que contribuem para este cenário. “O país convive com uma política persistente de juros altos. Isso inviabiliza a procura por um imóvel para comprar, fazendo com que as famílias fiquem no aluguel, mesmo pagando valores mais elevados”, avalia.

Ponta Negra lidera o ranking de locação mais cara de Natal, com o metro quadrado custando, em média, R$ 53,60 mensais. Em seguida, figuram Petrópolis (R$ 47,50/m²), Capim Macio (R$ 45,90/m²), Candelária (R$ 44,90/m²) e Lagoa Nova (R$ 42,70/m²).

De acordo com Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato da Habitação do RN (Secovi), embora a oferta na cidade esteja em ascensão, ela ainda não atende à demanda reprimida, o que deve fazer com que a rentabilidade continue em alta. “Acredito que esse fenômeno vai perdurar por um bom tempo, fazendo deste um bom momento para investir.”

Entretanto, conforme Roberto Peres, do Creci-RN, o crescimento do setor vai além do segmento de locação. Ele observa que o mercado, de um modo geral, começa a viver um novo ciclo, que deve seguir na esteira da valorização imobiliária por causa do lançamento de novos produtos. “Estamos em condições de aumentar a oferta de produtos e, ao mesmo tempo, criar um novo ciclo de expansão. Vejo um mercado que ficou muito tempo represado e que agora começa a liberar potencial”, diz.

Valorização de imóveis

O cenário registrado também tende a manter a valorização dos imóveis à venda. De acordo com o Índice FipeZAP de julho, nos últimos 12 meses o preço médio dos empreendimentos residencias teve valorização de 8,87% na cidade, superando a média nacional de 5,4% e o índice de inflação oficial acumulado (IPCA de 4,4%).

No comparativo entre as capitais, Natal teve a sexta maior alta do país e a quarta maior do Nordeste. Salvador (11,27%), Manaus (10,64%), Fortaleza (9,71%), Vitória (9,41%) e Aracaju (9,14%) apresentaram valorizações mais elevadas.

O preço médio do metro quadrado para venda na cidade, no entanto, está entre os mais baixos do país (R$ 6.437), acima apenas de Teresina (R$ 6.025) em uma análise das 22 capitais pesquisadas. Em relação aos valores médios por bairros, Capim Macio, com R$ 7.771 por metro quadrado, seguido por Tirol (R$ 7.289), Ponta Negra (R$ 7.092), Nossa Senhora de Nazaré (R$ 6.988) e Lagoa Nova (R$ 6.669), se destacam, de acordo com o FipeZAP.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

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