Bandeira amarela pressiona custos de empresas e consumidores no RN

Bandeira amarela pressiona custos de empresas e consumidores no RN
Estabelecimentos que dependem de refrigeração e climatização sentem de forma direta o impacto| Foto: Adriano Abreu
A manutenção da bandeira tarifária amarela na conta de luz continua pressionando o orçamento de consumidores e elevando os custos das empresas no Rio Grande do Norte. Confirmada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para agosto, a cobrança adicional marca o quarto mês consecutivo de tarifa extra e mantém o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Segundo a agência, a medida é necessária devido ao período de estiagem no país, que reduz os níveis dos reservatórios das hidrelétricas e exige o acionamento contínuo de usinas termelétricas, cuja geração é mais cara.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do RN (Fiern), Roberto Serquiz, a medida amplia a pressão sobre os custos da indústria. “Embora o adicional possa parecer pequeno quando observado isoladamente, ele ganha relevância nas empresas que mantem máquinas, sistemas de refrigeração, bombeamento ou outros equipamentos em operação contínua”, alerta.
Conforme explica o presidente da Fiern, embora o impacto varie de acordo com o consumo e com a forma de contratação da energia, de modo geral o aumento afeta as indústrias. “As empresas vêm respondendo com maior controle do consumo, revisão de processos e investimentos em eficiência energética, mas a persistência dessa cobrança reduz o espaço disponível para investir, modernizar e gerar novos empregos”, analisa.
Roberto Serquiz, pontua que os setores industriais de maior impacto no estado são os de confecção, laticínios, alimentos, bebidas, embalagens plásticas, cimento e cerâmica. “A energia mais econômica é aquela que deixa de ser desperdiçada. Eficiência energética reduz despesas, melhora a competitividade e contribui para uma indústria mais sustentável”, conclui.
Segundo o economista comportamental Helder Cavalcanti, a manutenção da bandeira amarela acentua a pressão no orçamento doméstico e nas planilhas de custos das empresas. “Quando a energia encarece, ela aumenta o custo da padaria, do supermercado, da farmácia, do restaurante, da pequena indústria e dos serviços. Nem todo esse aumento aparece imediatamente, mas ele vai sendo incorporado gradualmente aos preços”, explica.
O especialista ressalta que é importante identificar os equipamentos que mais consomem energia. “Disciplinar o uso de ar-condicionado e chuveiro elétrico, verificar instalações antigas, eliminar desperdícios e evitar o chamado consumo invisível de aparelhos ligados sem necessidade”, afirma.
Helder Cavalcanti calcula que em uma conta mensal entre R$ 180 e R$ 250, a bandeira amarela representa entre 1,5% e 2,1% do valor total da fatura. No setor comercial local, estabelecimentos que dependem intensivamente de refrigeração e climatização sentem de forma direta o impacto na conta de luz.
Em um açougue localizado no bairro do Alecrim, em Natal, os gastos com a tarifa de energia elétrica sofreram alterações expressivas nos últimos anos. O gerente do estabelecimento, Marcelino Ferreira, 46, relata a dificuldade enfrentada diante da variação acentuada na tarifa: “A conta de energia está muito alta. De 2023 para 2026, se consumia R$ 3 mil, hoje foi para R$ 5 mil, R$ 6 mil.”
Para equilibrar as despesas operacionais sem comprometer a qualidade dos produtos armazenados, a empresa precisa adotar uma rotina rigorosa de controle no funcionamento dos equipamentos elétricos. De acordo com o gerente, durante a manhã alguns congeladores são desligados por um curto período, para não comprometer a qualidade dos produtos armazenados. “A gente faz esse movimento para compensar. Os resfriados estão ligados direto, não tem como desligar”, detalha Marcelino Ferreira.
Ronilson Adelino, consumidor| Foto: Adriano Abreu
Já o funcionário público Ronilson Adelino, 47, optou pelo uso da energia solar para diminuir o valor da conta de energia. “Eu uso há 3 anos e já vi uma diferença muito grande em casa. O maior gasto é de ar-condicionado, chuveiro elétrico. Hoje em dia a gente usa muito a air-fryer, microondas, eletrodomésticos no geral. Antes era uma faixa de 300 reais de conta de energia, hoje eu pago na faixa de R$ 60”, comenta.
Redução de custos
Para reduzir os custos na conta de luz, a Neoenergia Cosern orienta a população e empresários a adotarem medidas práticas de economia. As principais recomendações incluem ajustar o ar-condicionado entre 23°C e 25°C, limpar os filtros a cada duas semanas e preferir modelos Inverter. Nas geladeiras, deve-se checar a vedação da borracha, evitar guardar alimentos quentes e mantê-las a 10 cm da parede. Complementarmente, a concessionária indica substituir lâmpadas antigas por LED e usar o chuveiro elétrico na posição “verão”.
A Companhia ainda informa que moradores de Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante podem obter descontos na fatura por meio da entrega de materiais recicláveis no Projeto Vale Luz.
Tribuna do Norte