Saúde

Busca por saúde impulsiona em 62% pequenos negócios ligados ao esporte no RN

Busca por saúde impulsiona em 62% pequenos negócios ligados ao esporte no RN

Busca por saúde impulsiona em 62% pequenos negócios ligados ao esporte no RN

Para a gerente da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae/RN, Alinne Dantas, a expansão acompanha uma mudança no comportamento da população.Luciane Almeida sendo atendida pelo fisioterapeuta Alef Barros na clínica dele em Capim Macio | Foto: Magnus Nascimento

Aos 40 anos, enquanto conciliava as exigências do doutorado, Luciane Almeida percebeu que estava levando um estilo de vida sedentário. Foi então que decidiu mudar os hábitos. O objetivo era simples: cuidar da saúde física e mental. Escolheu a corrida de rua. Três anos depois, sua rotina inclui acompanhamento nutricional, suplementação, tênis adequado, roupas específicas, fisioterapia, pilates para fortalecimento muscular e inscrições em provas. Sem perceber, passou a movimentar uma cadeia de pequenos negócios que cresce em ritmo acelerado no Rio Grande do Norte. “Eu entrei para a corrida porque ia completar 40 anos e sempre fui sedentária. Pensei que precisava fazer uma atividade para cuidar da minha saúde física e mental. Desde então, nunca mais parei”, conta.

A história de Luciane ajuda a explicar um movimento identificado pelo Sebrae/RN, que elaborou um levantamento mostrando que o número de micro e pequenas empresas ligadas ao segmento esportivo cresceu 62,5% entre 2020 e 2025. Hoje, são 4.847 negócios formalizados, 1,5% do total de empresas do Estado. Os pequenos negócios correspondem a 97% desse universo.

Para a gerente da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae/RN, Alinne Dantas, a expansão acompanha uma mudança no comportamento da população. “As pessoas passaram a enxergar os benefícios da atividade física. Como a sociedade mudou, os pequenos negócios também absorveram essa mudança”, analisa.

Segundo ela, a predominância desses empreendimentos também se explica pelo baixo investimento necessário para iniciar a atividade. “São negócios que normalmente começam com estruturas enxutas, facilitando a entrada de novos empreendedores”.

Quem identificou essa oportunidade foi o empresário Joseph de Miranda. Depois de perder cerca de 40 quilos, decidiu trocar o ramo em que atuava havia anos pelo segmento da saúde e do bem-estar. Em novembro do ano passado, inaugurou uma academia nas Rocas, bairro onde nasceu e onde percebeu que havia uma demanda reprimida por um espaço mais estruturado para a prática de atividades físicas. “Eu era uma pessoa obesa e essa transformação despertou minha vontade de trabalhar com saúde. Fizemos um estudo de mercado e percebemos que o bairro precisava de uma academia como essa”, lembra.

Em apenas oito meses de funcionamento, o empreendimento reúne 12 professores, além de recepcionistas, auxiliares de serviços gerais e instrutores de aulas coletivas. “É um setor que gera empregos de forma direta e indireta. As academias também movimentam vestuário fitness, suplementação, personal trainers e avaliação física”, diz o empresário.

Joseph de Miranda inaugurou sua academia há 8 meses nas Rocas | Foto: Adriano Abreu

O exemplo dele ilustra bem os números do Sebrae/RN, segundo o qual as academias e atividades físicas respondem por 35,11% (1.702) do número de empresas desse setor.

A expansão do mercado também abriu espaço para novos profissionais. Recém-formada em Educação Física, Ana Lúcia Duarte Fonseca afirma que escolheu a profissão observando justamente esse movimento. “Hoje muitas pessoas buscam qualidade de vida. Isso amplia bastante as oportunidades para quem trabalha na área, seja em academias ou como personal trainer”.

Na avaliação dela, a popularização da atividade física acompanha a divulgação científica sobre seus benefícios. “A população está entendendo que a atividade física proporciona mais qualidade de vida e envelhecimento saudável. Isso faz crescer a procura pela musculação, pelos treinamentos e pelas aulas coletivas”.

Espaço para novos negócios

Apesar do crescimento de 62,5% nos últimos cinco anos, o Sebrae avalia que o segmento ainda oferece oportunidades para novos empreendedores. Segundo Alinne Dantas, o avanço deve ocorrer principalmente em nichos especializados. “Hoje vemos oportunidades para nutricionistas esportivos, fisioterapeutas especializados, academias voltadas para públicos específicos e outros serviços ligados à atividade física”.

Para o empresário Alef Barros, investir em gestão foi decisivo para consolidar a empresa. “Quando conheci o Sebrae, fizemos consultorias financeira, estratégica, de marketing e gestão de pessoas. Hoje é um parceiro importante do nosso negócio porque precisamos desse conhecimento empreendedor e o suporte do Sebrae tem sido muito importante pra gente”.

Corridas ampliam a busca por serviços

O crescimento das corridas de rua também impulsionou uma rede de serviços voltada principalmente aos atletas amadores. O fisioterapeuta e empresário Alef Barros acompanhou essa transformação desde o início do seu empreendimento.

O negócio começou em uma pequena sala dentro de uma academia de crossfit, com três fisioterapeutas dividindo os horários de atendimento. Hoje ocupa uma sede própria em Capim Macio, reúne dez colaboradores e realiza cerca de 200 atendimentos por semana. “A pandemia foi a grande virada de chave. Muita gente começou a correr porque buscava ambientes abertos. A corrida explodiu e continua crescendo”, afirma Alef Barros.

Segundo ele, cerca de 60% da clientela é formada por corredores e triatletas amadores. “A maioria são pessoas comuns que encontraram no esporte uma forma de cuidar da saúde e não querem deixar de treinar”, analisa.

Além da fisioterapia, a empresa passou a oferecer protocolos de recuperação muscular e atendimento em eventos esportivos.

Uma das pacientes é justamente Luciane Almeida, personagem citada no início dessa reportagem. Depois de uma lesão, ela passou cinco meses em tratamento e iniciou aulas de pilates para fortalecer a musculatura antes de voltar às pistas. “Meu objetivo agora é correr sem dor. Voltar às provas já é uma grande conquista”.

As atividades de fisioterapia aparecem em segundo lugar após as academias, segundo o estudo do Sebrae/RN. São 669 negócios do gênero entre empresas ligadas ao setor esportivo. No conjunto Cidade Satélite, a fisioterapeuta Jeane Karla Régis também viu o perfil da clientela mudar.

A clínica, antes voltada à reabilitação ortopédica, ampliou a atuação após integrar equipes de futebol americano e flag football. “Hoje atendemos cada vez mais atletas, tanto na prevenção quanto na recuperação de lesões. As pessoas passaram a enxergar a atividade física como investimento em saúde e qualidade de vida”.

Ela afirma que pretende buscar apoio do Sebrae para profissionalizar ainda mais a gestão da clínica e ampliar o negócio. “Entendemos que esse apoio será importante para fortalecer a gestão e contribuir para o crescimento da clínica.”

Jeane Karla atende a equipes de futebol americano e flag football | Foto: Alex Régis

O esporte em números no RN

4.847
É o número de empresas ligadas ao segmento esportivo

62,5%
É o percentual de crescimento entre 2020 e 2025

97%
É o percentual de micro e pequenas empresas ligadas ao setor

5.404
É o número de empregos formais gerados

Principais atividades do Setor no RN

Academias – 1.468

Atividades de fisioterapia – 669

Comércio varejista de artigos esportivos – 605

Comércio varejista de bicicletas e triciclos, peças e acessórios – 406

Clubes sociais, esportivos e similares – 321

Outras atividades de recreação e lazer – 269

Aluguel de equipamentos recreativos e esportivos – 245

Produção e promoção de eventos esportivos – 182

Ensino de esportes – 179

Atividades de profissionais de nutrição – 176

Cláudio Oliveira/Repórter

Tribuna do Norte

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