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Cadu está entre os candidatos com menos recursos no PT

Cadu está entre os candidatos com menos recursos no PT

Cadu está entre os candidatos com menos recursos no PT

Cadu Xavier, candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Foto: Cedida

Candidatos do PT ao governo em Brasília e no Rio Grande do Norte que disputam o segundo turno das eleições, no domingo (25), Leandro Grass e Cadu de Lula foram os que menos captaram, proporcionalmente, recursos de campanhas, conforme limite de gastos previstos pela Justiça Eleitoral, em relação a outros candidatos petistas que tinham poucas chances de se elegerem no primeiro turno.

Os recursos declarados pelas campanhas fazem parte da prestação de contas parcialmente apresentada e ainda podem sofrer alterações. Os candidatos têm de 5 de outubro a 3 de novembro para prestar as contas do que foi arrecadado e gasto no primeiro turno – prazo ainda vigente. Depois, de 26 de outubro a 14 de novembro, terão de prestar contas do segundo turno. Há indícios, porém, de que há falta de recursos em algumas candidaturas, como na de Grass no Distrito Federal.

Os recursos arrecadados para a campanha são usados para vários fins, que vão desde contratar impressão de adesivos e equipes de comunicação e jurídica até impulsionar publicações nas redes sociais. Via de regra, quanto mais dinheiro uma campanha tem, mais oportunidades o candidato tem de ganhar alcance. Há exceções, porém: o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), por exemplo, conseguiu se eleger governador de Minas Gerais sem receber dinheiro da direção de seu partido e com apenas R$ 1,2 milhão, enquanto adversários receberam mais de R$ 14 milhões.

Mesmo estando entre os dois melhores colocados no primeiro turno e passando para a disputa direta pelos governos, Grass e Cadu receberam menos proporcionalmente do que candidatos do PT que tiveram pouca votação e cujas candidaturas não eram consideradas fortes nas pesquisas de opinião, como Expedito Netto (Rondônia), Felipe Camarão (Maranhão) e Luis César Bueno (Goiás).

O PT foi o segundo partido que mais recebeu recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), também conhecido como Fundo Eleitoral, com R$ 615,4 milhões destinados a custear as campanhas de candidatos a deputados federais e estaduais, senadores, governadores e também a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A fatia do Fundo Eleitoral, que totalizou R$ 4,9 bilhões, só não é maior que a do PL de Flávio Bolsonaro (R$ 881 milhões).

Cadu Xavier, que disputa o segundo turno contra Allyson Bezerra (União) e tem como missão manter o PT no comando do Rio Grande do Norte, declarou ter recebido até esta segunda-feira, 19, R$ 2,62 milhões. Ele pode gastar até R$ 10,67 milhões nesta semana, mas teve R$ 3 milhões de despesas até o momento.

De todos os 12 candidatos a governos estaduais do PT, Cadu é quem menos recebeu proporcionalmente e o segundo com menos recursos no total.

Apenas Expedito Netto recebeu menos (R$ 2 milhões). Porém, por Rondônia ter um eleitorado menor, o limite de gastos é de R$ 6,2 milhões. Ou seja, o candidato derrotado ao governo rondoniense, com 7,71% dos votos válidos, recebeu 31,63% do gasto permitido, enquanto Cadu Xavier, que recebeu 36,16% dos votos válidos, ganhou apenas 24,2% em relação ao teto.

Allyson Bezerra (União Brasil), que disputa contra Cadu no Rio Grande do Norte e teve 15 mil votos a mais do que o petista no primeiro turno, recebeu R$ 8 milhões, de acordo com os dados apresentados ao TSE até esta segunda-feira, quase três vezes mais que o oponente. Ele gastou mais que o dobro: R$ 6,67 milhões. Do União Brasil, Allyson recebeu R$ 8 milhões, enquanto o PT enviou ao seu candidato R$ 1,96 milhão.

O Estadão/Broadcast procurou Cadu Xavier e a presidente do diretório do PT potiguar, a senadora eleita Samanda Alves, mas não obteve retorno..

Pesquisa do instituto Quaest, divulgada no último dia 14, mostrou Alysson com 45% das intenções de voto, enquanto Cadu tem 42%. Brancos e nulos somam 7%, e outros 6% estão indecisos.

Como a margem de erro é de três pontos porcentuais, os dois estão empatados. O índice de confiabilidade é de 95% e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RN-03210/2026.

Grass se queixa e pede campanha boca a boca

No Distrito Federal, a eleição só não foi decidida em primeiro turno porque faltaram 1.090 votos para a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), que terminou a disputa com 49,93% dos votos válidos. Grass, por sua vez, foi ao segundo turno após receber 34,47% dos votos.

Apesar do favoritismo de Celina, Leandro Grass teve um resultado significativo para o PT de Brasília, sendo o candidato ao governo do DF pelo partido que mais recebeu votos desde 2010, a última vez em que um petista foi eleito para ocupar o Palácio do Buriti.

O resultado obtido por Grass foi feito apesar de um baixo orçamento comparado a outros candidatos do PT aos governos estaduais. Até esta segunda-feira, ele declarou ter recebido R$ 3,2 milhões, sendo 30,97% dos gastos permitidos para a campanha. Do PT, ele recebeu R$ 2,9 milhões, menos que os candidatos derrotados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Espírito Santo.

A disparidade econômica pode ser vista nas ruas de Brasília. Wind banners, bandeiras e adesivos de Celina Leão estão espalhados por toda a capital federal, mas pouco se veem os de Grass, que se concentram mais no Plano Piloto, única região administrativa em que ele venceu o primeiro turno.

Em uma publicação no Instagram, em que respondeu a um eleitor que questionava a falta dos materiais, Grass disse que a campanha dele não tinha “recursos econômicos o suficiente” para espalhar as propagandas. O candidato pediu também para que os eleitores dele fizessem uma campanha tête-à-tête e utilizassem as redes sociais na final da campanha.

“Infelizmente, a nossa campanha não tem recursos econômicos suficientes para espalhar milhares de wind banners, faixas, bandeiras e ativistas contratados por todas as cidades do DF como gostaríamos de fazer. Mas nós temos uns aos outros e conto com você na sua cidade, na sua rua, entre a família, amigos e nas redes sociais para ajudar a espalhar a mensagem que vai mudar o DF. Conto com você!”, disse Grass.

Já Celina Leão declarou ter recebido R$ 10,1 milhões para a realização da campanha eleitoral, tendo gasto já R$ 6,1 milhões, enquanto Grass gastou R$ 1,5 milhão. Somente o que o PP aplicou na campanha de Celina supera em quase três vezes o total de Grass: R$ 9,7 milhões.

Nas redes sociais, Grass admitiu a disparidade econômica com Celina e disse que a campanha dele será a do “convencimento”. “A campanha da minha adversária é quase quatro vezes mais rica que a minha. Ela recebeu quase quatro vezes mais recursos do que nós. É óbvio que isso gera um impacto visual na campanha. Ela tem milhares e milhares de wind banners que custam caro, e a gente não tem condições de espalhar o mesmo número de wind banners que ela. A nossa campanha não é apenas do material, é do conhecimento”, disse Grass.

O Estadão/Broadcast procurou Leandro Grass e o presidente do PT distrital, Guilherme Sigmaringa, mas não obteve retorno.

Pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último dia 13 mostrou que Celina tem 55% das intenções de voto, contra 37% de Grass. Brancos e nulos somam 5% e outros 3% estão indecisos. Nos votos válidos, a atual governadora tem 60%, enquanto o candidato do PT tem 40%.

A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos e o índice de confiabilidade é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número DF-03365/2026.

ESTADÃO CONTEÚDO/Tribuna do Norte

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