Chuva deixa rastro de lama, interdições e prejuízo para moradores em Natal

Chuva deixa rastro de lama, interdições e prejuízo para moradores em Natal
Foto: magnus nascimento
Com um acumulado que superou 58 milímetros nas últimas 12 horas, segundo a EMPARN, a capital potiguar voltou a registrar pontos críticos de alagamento, transtornos no trânsito e prejuízos materiais. As chuvas intensas que voltaram a atingir Natal entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira (21), reativaram o alerta nas equipes da Defesa Civil e reacenderam o drama de moradores que convivem com alagamentos recorrentes. Pela manhã, a STTU sinalizou pelo menos 17 pontos de alagamento.
De acordo com a EMPARN, a tendência para os próximos dias é de trégua na intensidade das chuvas, que devem retornar em menor volume. Os episódios mais severos tendem a se concentrar nas madrugadas e primeiras horas da manhã, impulsionados pelo contraste térmico da atmosfera. A faixa litorânea segue como a área mais atingida por conta do calor do oceano, enquanto o interior do estado deve registrar apenas pancadas pontuais.
De acordo com a Prefeitura de Natal, a Defesa Civil Municipal esteve em campo ao longo do dia compilando informações sobre pontos críticos. Já a Seinfra destacou que mantém equipes mobilizadas e monitorando as ocorrências registradas em toda a cidade, com atenção especial às lagoas de captação e aos pontos críticos de drenagem. Na segunda-feira (20), parte do calçadão de Areia Preta, localizado na Zona Leste de Natal, cedeu e levou à interdição imediata do trecho. A Seinfra informou que as equipes estiveram no local para realizar os serviços necessários para restabelecer as condições da área.
A equipe da TRIBUNA DO NORTE esteve na Rua Vereador Cauby Barroca, no bairro das Rocas, nesta terça-feira (21), pela manhã. A água voltou a tomar conta da via e o acesso só era possível à distância. Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) informou que a bomba emergencial de drenagem funcionou durante toda a noite sem intercorrências, mas a capacidade do equipamento foi insuficiente para dar vazão ao volume acumulado. A pasta garantiu que segue monitorando a área e que as obras definitivas, iniciadas em abril, seguem no cronograma para conclusão neste segundo semestre.
Para quem mora no local, no entanto, há um contraste entre a obra e os danos causados. O porteiro Rudson José, de 41 anos, que retornou às Rocas há pouco mais de um ano após morar em Mãe Luíza, desabafou sobre a rotina de prejuízos: “Nós, moradores, estamos sofrendo com esse alagamento. Isso é um rio, não é mais um alagamento. Amanhã é dia dos moradores jogarem tudo para fora que perderam, se é que sobrou algo, porque nas outras chuvas já perderam guarda-roupa, cama, geladeira… Foi tudo perdido. Enquanto isso, é só rezar e pedir a Deus que apareça alguma solução”, lamenta.
A insatisfação também atinge quem tenta manter o próprio negócio. O aposentado José Ribeiro, de 74 anos, acompanha com frustração o acúmulo de lama e água em frente à sua oficina mecânica, localizada na mesma rua de sua residência. “Aqui nunca deixou de encher. Depois que fizeram um serviço ali em cima, agora é só lama e água, não seca. Eu já perdi muita coisa da oficina, carros e equipamentos”, relatou.
De acordo com o boletim atualizado da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), das 14h22, Natal registra sete pontos totalmente intransitáveis devido aos alagamentos: a Rua Vereador Cauby Barroca (Rocas), o cruzamento da Rua Dr. José Gonçalves com a Poty Nóbrega (Lagoa Nova), a Avenida Solange Nunes em frente à Unimetais (Cidade Nova), a junção das Avenidas Alagoas e Ayrton Senna (Neópolis), a Rua Antônio Freire de Lemos (Planalto), a Rua Beberibe, no sentido ao Mercado da Redinha (Redinha), e a Rua Santa Cecília (Pajuçara).
Tribuna do Norte