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Conselho Regional de Odontologia do RN diz que dentistas podem seguir fazendo harmonização após liminar

Conselho Regional de Odontologia do RN diz que dentistas podem seguir fazendo harmonização após liminar

Conselho Regional de Odontologia do RN diz que dentistas podem seguir fazendo harmonização após liminar

O Conselho Federal de Medicina considerou a recente decisão uma “vitória do próprio CFM, da medicina e da sociedade” – Foto: Divulgação

Dentistas podem continuar realizando procedimentos de harmonização orofacial mesmo após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anular a resolução que reconheceu a prática como especialidade odontológica. A orientação é do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Norte (CRO-RN), que afirma que, neste momento, não houve alteração nas atribuições dos profissionais.

A decisão judicial, tomada na semana passada, ainda não foi publicada, e o Conselho Federal de Odontologia (CFO) já apresentou petição pedindo a anulação do julgamento.

Presidente do CRO-RN, Souza Júnior afirma que, até que o processo transite em julgado, não deve ocorrer mudança nas atribuições dos cirurgiões-dentistas. “Alguns têm buscado o Conselho e nossa mensagem é clara: pode atuar sem preocupação, porque nada mudou. Quem concluiu um curso pode se regularizar”, orienta.

A presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB/RN, Eveline Macena, explica que a decisão ainda não foi publicada e que, por isso, os dentistas podem continuar com esse tipo de atuação. “Esta é a única coisa que sustenta o CFO dizer que os dentistas podem continuar atuando: a não publicação”, pontua.

À TRIBUNA DO NORTE, o TRF-1 confirmou que a decisão ainda não foi publicada, mas não enviou nenhum detalhamento sobre como ficam as atribuições dos cirurgiões-dentistas neste momento. Eveline Macena recomenda cautela aos profissionais enquanto o processo não tiver novos desdobramentos.

“Em caso de penalidade, serão afetados aqueles que estão envolvidos nesta ação, mas eu indico aos profissionais que tenham prudência e aguardem um desdobramento futuro. Isso garante mais segurança jurídica”, afirma.

Na decisão da semana passada, o TRF-1 anulou uma resolução do CFO que reconhecia a harmonização orofacial como especialidade odontológica desde 2019. A norma permitia que dentistas realizassem procedimentos como aplicação de toxina botulínica, preenchimentos faciais, técnicas para estimular a produção de colágeno e uso de laser, entre outros.

A decisão foi tomada após recurso apresentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). No julgamento, o tribunal entendeu que o CFO foi além do que a legislação permite ao incluir, por meio de uma resolução própria, procedimentos estéticos em toda a face entre as atribuições dos dentistas.

Souza Júnior explica que o tema corre na Justiça há alguns anos, sempre com resultado favorável à continuidade dos procedimentos pelos cirurgiões-dentistas. Segundo ele, além da publicação da decisão, ainda seriam necessárias outras medidas para que ela produzisse efeitos sobre a atuação dos profissionais.

“Além da publicação, para que a decisão seja executada obrigatoriamente, é preciso que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) entrem com um mandado de cumprimento, o que não ocorreu”, explica o presidente do CRO-RN.

O presidente da Comissão de Harmonização Orofacial do CRO-RN, Arcelino Farias, também discorda do entendimento adotado pelo tribunal. Para ele, a atuação dos cirurgiões-dentistas não está restrita à região da boca.

“Nós já temos a figura do bucomaxilofacial, por exemplo, que é quem faz o atendimento dos politraumatizados que chegam ao Walfredo Gurgel. É ele quem reconstrói toda a face de um paciente vítima de acidente. Há muito tempo, a atuação do dentista não se resume apenas à região da boca. A própria lei da Odontologia não fala em área de atuação – se é apenas a boca, o pescoço ou a face – ela diz apenas que o dentista pode praticar os atos pertinentes à profissão, desde que aprendidos em cursos de graduação ou pós-graduação”, argumenta Arcelino Farias.

A decisão também provocou receio entre profissionais que trabalham com harmonização orofacial. Especialista em implante e harmonização, Juliana Paiva espera que o entendimento seja revertido.
“Existe certo temor, afinal, estamos falando de uma decisão da Justiça, mas, mais do que preocupação, eu observo o cenário com tristeza, porque esta é uma disputa por mercado. Um dentista passa a faculdade inteira tratando a face, vive e se dedica a isso. Temos habilidades para fazer esse tipo de tratamento. Acredito que iremos reverter mais essa etapa”, define.

Em nota, o CFO reforçou que os profissionais não terão suas atribuições alteradas e que “a decisão será submetida às medidas cabíveis”, por meio de instrumentos legais para contestá-la. “Portanto, os cirurgiões-dentistas podem manter atuação nos procedimentos de harmonização orofacial que integram sua área legal de competência, observados os limites previstos na legislação, na formação profissional e nas normas aplicáveis”, afirma.

Sobre o assunto, a reportagem também procurou o Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern), que informou seguir o posicionamento do CFM. O Conselho Federal de Medicina considerou a recente decisão uma “vitória do próprio CFM, da medicina e da sociedade”.

Tribuna do Norte

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