Infraestrutura

Entidades cobram segurança para concessão do Complexo da Rampa

Entidades cobram segurança para concessão do Complexo da Rampa

Entidades cobram segurança para concessão do Complexo da Rampa

Foto: Alex Régis

O Governo do Estado lançou o edital de concessão de espaços do Complexo Cultural da Rampa à iniciativa privada visando ampliar o fluxo turístico do equipamento. Contudo, representantes dos setores de comércio e turismo apontam que o sucesso do negócio dependerá de regras mais claras, integração entre as atividades e informações capazes de dar segurança ao investidor. Para a Fecomércio RN e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio Grande do Norte (ABIH-RN), o principal desafio é transformar o potencial histórico e turístico da Rampa em fluxo regular de visitantes e, ao mesmo tempo, garantir previsibilidade suficiente para que uma empresa possa investir e operar no local.

O edital nº 189/2026 prevê a concessão onerosa de um restaurante bistrô e café e de cinco áreas para máquinas de autoatendimento. O contrato do restaurante terá prazo estimado de dez anos, enquanto o das máquinas será de três anos. Os valores mínimos mensais são de R$ 8.070 e R$ 860, respectivamente. O modelo também prevê o pagamento de 5% sobre a receita bruta das vendas e serviços explorados.

O espaço destinado ao restaurante fica no prédio do museu e reúne áreas no térreo, primeiro andar e um deck externo de 168,20 metros quadrados, entre o museu e o rio. As cinco áreas para máquinas estão distribuídas entre o Museu da Rampa e o Memorial do Aviador.

O concessionário assumirá os riscos e despesas relacionados à operação e exige, no caso do restaurante, comprovação de regularidade sanitária, registro no Conselho Regional de Nutricionistas e profissional de Nutrição responsável tecnicamente. A programação cultural, a gestão do museu e a atração de turistas continuam sob total controle do Estado.

Para a Fecomércio RN, a Rampa reúne localização, importância histórica, valor arquitetônico e potencial turístico capazes de atrair investidores, mas considera que a atratividade dependerá das condições de operação. “O funcionamento do restaurante estará diretamente relacionado ao fluxo de visitantes, à programação cultural, aos eventos e às condições de acesso ao equipamento, fatores que não estarão sob a gestão do concessionário”, afirma.

A entidade defende mecanismos permanentes de coordenação entre restaurante, museu, Secretaria de Cultura e os demais espaços, com regras claras sobre horários, programação, eventos, acesso, segurança, promoção e comunicação.

O edital prevê que o Complexo poderá receber eventos simultaneamente ao funcionamento do restaurante. Também informa que existem pontos de venda da Economia Solidária no local, considerados pelo governo como complementares à atividade do restaurante. O governo estabeleceu como critério de julgamento a maior oferta, e o valor global mínimo estimado para os dois objetos é de R$ 999.360.

A Fecomércio também chama atenção para o Plano de Integração Cultural (PIC), que deve acompanhar a proposta comercial. Para a entidade, o instrumento deveria ter maior peso na escolha do vencedor. “A Rampa precisa ser compreendida como um equipamento único. Mesmo com responsabilidades administrativas distintas, suas atividades devem ser planejadas de maneira integrada”, afirma.

Na avaliação de Edmar Gadelha, da ABIH-RN, a Rampa tem grande potencial para fortalecer o turismo cultural e de experiência, mas o investidor precisa conhecer o número de visitantes, o perfil do público, a origem, o tempo médio de permanência e o comportamento do fluxo durante os períodos de alta e baixa temporada, além da proporção entre turistas e moradores e do potencial de consumo de cada público. “O potencial existe, mas é preciso transformá-lo em fluxo mensurável. Não é possível afirmar, sem dados concretos de visitação, que o fluxo atual seja suficiente para sustentar sozinho uma operação privada”, afirma Gadelha.

A ABIH-RN também defende que a Rampa seja integrada a outros equipamentos históricos e aos roteiros turísticos de Natal e da Região Metropolitana. Para Gadelha, o restaurante deve fazer parte de uma estratégia maior de ativação do complexo. “O restaurante não pode ser tratado como uma atividade isolada, mas como parte do próprio produto turístico da Rampa”, diz.

Gadelha avalia que o potencial da Rampa precisa ser associado a uma estratégia mais ampla de promoção turística e revitalização urbana e cita, nesse contexto, as transformações previstas para o Centro e a Ribeira como fatores que podem alterar o fluxo da região e a demanda potencial do equipamento.

Tribuna do Norte

Gostou do conteúdo?! Compartilhe!
whatsapp button