Entre sanfona e sensores, alunos disputam Olimpíada de Robótica em Natal

Entre sanfona e sensores, alunos disputam Olimpíada de Robótica em Natal
A equipe Paradoxo Potiguar, do Colégio Santa Teresinha, de Caicó, criou um robô que dança forró| Foto: Adriano Abreu
A sanfona e a zabumba, instrumentos tradicionais do forró, ganharam uma nova companhia nas mãos de estudantes do Colégio Santa Teresinha, de Caicó/RN: mecanismos, sensores, programação e um robô. A equipe Paradoxo Potiguar decidiu unir a música que faz parte da cultura nordestina à robótica para criar um protótipo capaz de se movimentar conforme o ritmo e interagir com o público. A invenção foi apresentada na etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), que termina neste domingo (13), no Campus Natal-Central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
A ideia partiu de Joaquim Vinícius, aluno do 9º ano, que toca sanfona desde os três anos. Esta é a segunda participação dele na competição e, depois de utilizar música em uma edição anterior, decidiu levar a experiência mais longe. “Eu gosto muito de tocar sanfona e a gente quis assimilar isso com a robótica, para o robô conseguir se movimentar de acordo com a música”, explica.
A proposta não ficou apenas na inspiração. O robô foi programado para este fim. Davi Lucas, companheiro de equipe de Joaquim, explica como a ideia foi transformada em funcionamento. “O robô vai seguir uma linha de código na qual ele vai andar para frente e para trás, como se ele estivesse dançando e ele vai meio que interagir com a gente no palco controlado por um comando que a gente desenvolveu e que controla pelo celular”, conta.
A criatividade, nesse caso, precisa caminhar junto com as exigências da competição. O protótipo é caracterizado, e a apresentação artística precisa incorporar os recursos desenvolvidos pelos estudantes, inclusive pelos mais experientes na competição.
Leonardo Lisboa é um dos que já carregam anos de experiência. Ele entrou nesse universo ainda criança, em 2019, quando tinha cinco anos, e participou da OBR naquele mesmo ano. Depois, retornou às competições em 2023 e desde então participa todos os anos. “A gente tem vindo numa crescente legal de resultado. Em 2023 consegui um quarto lugar, em 2024 um vice-campeonato e aí a gente tá sempre nessa média”, relata.
Para ele, entretanto, a competição não se resume à colocação final. “Eu acho que o mais importante da competição é o processo de criação do robô, de melhoria, de teste, essa convivência com a equipe e com outras equipes”, afirma.
A cada edição, o trabalho é revisto e novas soluções são incorporadas. Neste ano, a equipe mudou o kit utilizado para construir o robô e precisou aprender a trabalhar com uma tecnologia com a qual ainda não tinha experiência. “A gente conseguiu colocar um sensor para detectar a cor da bola para a gente conseguir separar o que ano passado a gente não fazia. É um grande avanço em comparação aos outros anos”, explica.
Para outros participantes, a experiência de competir ainda é novidade. É o caso da equipe Mr. Robot, da Escola Agrícola de Jundiaí, que participa pela primeira vez. A preparação, porém, começou meses antes da chegada a Natal. Gabriel Câmara conta que os quatro integrantes da equipe passaram cerca de oito meses trabalhando na construção e nos testes do robô.
“Nós nos preparamos durante uns oito meses montando o robô, montando sensor e preparando o robô pra fazer treinamento lá no laboratório, para nós chegarmos aqui e só calibrarmos os sensores”, relata.
O protótipo precisa cumprir uma série de tarefas durante o percurso. “Tem que seguir linha, identificar obstáculos, desviar, subir rampa, gangorra e quebrar a mola também para ele ganhar os pontos ao longo do percurso”, explica o participante.
Mais de 800 participantes
A coordenadora da etapa estadual da OBR, professora Sarah Rossiter, destaca que mais de 800 estudantes do ensino fundamental e médio, de escolas públicas e privadas de todo o Estado, participam da competição. “Os alunos vêm treinando o ano inteiro para dar o melhor deles”, afirma.
Na modalidade de resgate, os robôs são preparados para cumprir desafios em uma pista. Já na robótica artística, a criatividade ganha espaço junto à programação e à construção do robô. A competição envolve diferentes competências. “A gente trabalha nos teóricos, coordenação, arte, pensamento artístico, criatividade”, afirma a professora.
A etapa estadual também é parte do caminho para a competição nacional, que acontecerá entre os dias 23 e 27 de novembro em João Pessoa (PB). “São quatro classificados para o nacional e os melhores vão representar o Brasil no mundial que acontece na Alemanha”, explica Sarah Rossiter.
Cláudio Oliveira/Repórter
Tribuna do Norte