Economia

Faturamento do setor de alimentação fora de casa cresce em julho, mas custos pressionam segmento

Faturamento do setor de alimentação fora de casa cresce em julho, mas custos pressionam segmento

Faturamento do setor de alimentação fora de casa cresce em julho, mas custos pressionam segmento

Férias escolares e jogos da Copa impulsionam vendas em julho, mas alta dos custos reduz margens de lucro no setor de alimentação

Apesar da alta no movimento, apenas 32% das empresas afirmaram ter operado com lucro no mês – Foto: Adriano Abreu

O setor de alimentação fora do lar do Rio Grande do Norte registrou crescimento no faturamento em julho, impulsionado pelas férias escolares, maior circulação de consumidores e pelos jogos da Copa do Mundo. O avanço das vendas, porém, não se traduziu na mesma proporção em rentabilidade. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no RN com empresários do setor, apenas 32% das empresas afirmaram ter operado com lucro no mês.

A pesquisa mostra que 52% dos estabelecimentos tiveram aumento do faturamento em julho na comparação com junho. Outros 24% mantiveram estabilidade, e 23% registraram queda. Entre as empresas consultadas, 45% disseram ter tido resultado estável no mês, e 22% trabalharam no prejuízo.

Para o economista Helder Cavalcanti, os números mostram uma aparente contradição que ajuda a explicar o atual momento do setor. “Há mais dinheiro passando pelo caixa, mas isso não significa necessariamente mais dinheiro ficando na empresa”, afirma.

Isso porque julho reuniu fatores favoráveis à demanda, mas o resultado não pode ser analisado apenas pelo aumento das vendas. “O fato de 52% dos estabelecimentos terem registrado aumento do faturamento é positivo e mostra capacidade de reação da demanda”, avalia.

Ao mesmo tempo, alimentos, bebidas, energia, gás, aluguel, mão de obra, impostos e taxas de cartões e aplicativos continuam pressionando as margens. “O setor convive com uma estrutura de custos muito sensível”, explica Helder.

Quando esses gastos sobem e não podem ser integralmente repassados aos preços, o estabelecimento pode vender mais e, ainda assim, ganhar pouco. Essa dificuldade aparece também na capacidade de reajustar os preços. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, 39% das empresas disseram não ter conseguido aumentar os preços nos 12 meses anteriores. Entre as que fizeram reajustes, 56% elevaram os valores conforme ou abaixo da inflação, enquanto apenas 5% aplicaram aumentos acima dela.

Para Helder Cavalcanti, quando o consumidor tem o orçamento pressionado, ele compara mais preços, busca promoções e avalia o custo-benefício antes de consumir. “O consumidor continua querendo consumir e socializar, mas está mais seletivo; e o empresário continua vendendo, mas encontra dificuldade para transformar venda em rentabilidade”, resume.

Desafio é sustentar avanço

O cenário financeiro também preocupa. De acordo com a pesquisa da Abrasel, 48% dos estabelecimentos afirmaram ter pagamentos em atraso. Entre as empresas endividadas, os impostos federais foram citados por 80% dos empresários, enquanto os tributos estaduais apareceram em 44% das respostas.

Thiago Machado, presidente da Abrasel no RN, diz que o faturamento do setor cresceu em julho impulsionado pelas férias escolares e Copa do Mundo, embora as margens de lucro continuem pressionadas. “O desafio atual consiste em sustentar esse avanço e, principalmente, convertê-lo em rentabilidade efetiva”, afirma.

Para Helder Cavalcanti, a recuperação dependerá da capacidade de melhorar a gestão. “O desafio do setor não será simplesmente vender mais, mas vender melhor: reduzir desperdícios, aumentar produtividade, administrar custos.”

A avaliação é que julho teve um componente sazonal importante e, por isso, a manutenção desse desempenho nos próximos meses será o verdadeiro teste para o setor. “Gestão eficiente deixou de ser apenas uma vantagem competitiva. Passou a ser condição para transformar faturamento em lucro e movimento econômico em sustentabilidade empresarial”, conclui o economista.

Thiago Machado reforça que o aumento das vendas precisa chegar ao resultado das empresas. “O aumento do faturamento é importante, mas não basta. Precisamos transformar movimento em resultado, porque é a rentabilidade que permite ao empresário manter empregos, investir no negócio e continuar funcionando de forma sustentável.”

Tribuna do Norte

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