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Governo deve esclarecer na Justiça decisão de desistir de cadeia na ZN

Governo deve esclarecer na Justiça decisão de desistir de cadeia na ZN

Governo deve esclarecer na Justiça decisão de desistir de cadeia na ZN

Cadeia seria construída na Travessa Macaé, no Potengi. Fátima Bezerra determinou desistência do processo. Foto: Adriano Abreu

O Governo do Estado do Rio Grande do Norte vai precisar esclarecer na Justiça a decisão de revogar a licitação para a construção da Cadeia Pública do Potengi, na Zona Norte de Natal. A determinação foi anunciada pela governadora Fátima Bezerra, por meio das redes sociais, nesta quarta-feira (26), um dia após a divulgação da homologação do processo licitatório.

A construção da Cadeia do Potengi tinha sido pactuada pelo Governo com a Justiça Federal em ação de cumprimento de sentença. O Governo do RN deverá apresentar as devidas explicações e justificativas sobre a decisão de revogar a licitação. O processo está sendo acompanhado pela Justiça Federal, com participação do Ministério Público Estadual e do Ministério Público Federal.

Quanto à construção de unidade prisional no bairro Potengi, a Justiça havia concedido prazo até 31 de julho para que o Estado do RN informasse sobre a conclusão do procedimento licitatório. Uma audiência referente ao processo está prevista para o dia 1º de setembro próximo.

O projeto previa a abertura de 189 vagas e um investimento de R$ 7,13 milhões. A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária do RN (Seap-RN) está analisando alternativas de terrenos para construção da unidade, segundo a assessoria de comunicação do Governo do RN. “O projeto já existente poderá ser aproveitado, mas serão necessárias adaptações de acordo com o novo terreno que está sendo avaliado pelo Estado”, diz.

Os recursos destinados à nova unidade estão assegurados, frisa a nota do Governo do Estado. “Existe, porém, uma atenção específica em relação aos recursos federais mais antigos, que possuem prazo para execução. O Estado está trabalhando para evitar qualquer risco de perda desses recursos”.

O projeto já havia sido aprovado junto ao Governo Federal, inclusive com o projeto arquitetônico adaptado ao terreno na Zona Norte de Natal. Segundo o Governo do Estado, a necessidade de eventuais adequações no projeto dependerá das características do novo local, como, por exemplo, a necessidade de terraplenagem ou outras intervenções.

As questões relacionadas ao projeto e à necessidade de uma nova licitação ainda serão avaliadas pela Seap-RN em conjunto com a Procuradoria-Geral do Estado, o Gabinete Civil, a Secretaria de Infraestrutura e os demais órgãos envolvidos.

Sobre as razões da revogação, mesmo com o processo homologado e os recursos garantidos, o Governo afirma que “a decisão está relacionada à necessidade de reavaliar a implantação da unidade, especialmente a localização e as condições do terreno”. “O Estado está analisando uma alternativa de área que permita a execução do projeto de maneira adequada”, destaca.

A reportagem entrou em contato com o Ministério Público Federal no RN, o Ministério Público Estadual e a Justiça Federal no RN para repercutir o tema do pacto com a Justiça, mas não teve retorno até o fechamento desta edição.

Determinação
Na publicação em que determinou a revogação imediata da licitação, a governadora relacionou a decisão à memória da população da Zona Norte em relação à antiga Penitenciária Estadual Dr. João Chaves.
A unidade, que funcionou durante décadas na região, foi marcada por episódios de violência e rebeliões. “Essa dor precisa ser respeitada, apesar de o tempo de terror no sistema prisional ter ficado no passado”, escreveu Fátima Bezerra.

A decisão ocorreu após a Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN) ter homologado o resultado da Concorrência Eletrônica nº 90020/2026. A HB Engenharia Ltda. havia sido declarada vencedora do certame, com proposta de R$ 7,13 milhões para executar a obra.

A cadeia seria construída na Travessa Macaé, nº 2201, no bairro Potengi, e teria capacidade para 189 presos. Conforme havia informado à TRIBUNA DO NORTE o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier da Silva, a unidade teria perfil de média complexidade e poderia receber internos dos regimes fechado e semiaberto.

A licitação já havia sido homologada e, de acordo com o planejamento informado pela Seap-RN antes da decisão da governadora, as próximas etapas seriam a assinatura do contrato e a emissão da ordem de serviço. A partir da ordem, a empresa teria prazo contratual de 12 meses para executar a construção.

Déficit de vagas
A suspensão do projeto no local inicialmente escolhido ocorre em meio a um déficit de aproximadamente 2,7 mil vagas no sistema prisional potiguar. Segundo dados repassados pela Seap-RN à TRIBUNA, o Rio Grande do Norte possui cerca de 8 mil pessoas no regime fechado. Considerando os demais regimes, a população prisional ultrapassa 14 mil pessoas, das quais cerca de 4 mil são monitoradas por tornozeleiras eletrônicas.

A Cadeia Pública do Potengi integrava um planejamento estadual para criar aproximadamente 1.160 novas vagas. Além das 189 previstas para a unidade da Zona Norte, estão incluídas 177 vagas em uma obra no Presídio do Seridó e outras 480 planejadas para Alcaçuz, estas ainda dependentes da conclusão de procedimentos para execução de recursos federais.

Segundo nota do Governo, o plano de criação das 1.160 novas vagas está mantido. “A revogação da licitação da unidade de 189 vagas não interfere nas demais obras previstas. O Estado tem mais de 800 vagas em construção, e essas obras seguem normalmente, sem impacto em seus cronogramas”, afirma.

Tribuna do Norte

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