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Governo Federal vê Nordeste preparado para efeitos do El Niño

Governo Federal vê Nordeste preparado para efeitos do El Niño

Governo Federal vê Nordeste preparado para efeitos do El Niño

Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, os dados mostram uma situação favorável. Foto: Divulgação

Com os reservatórios de água operando acima de 50% da capacidade, o Nordeste brasileiro não deve enfrentar escassez hídrica durante o El Niño previsto para 2026/2027. A avaliação foi apresentada pelo governo federal em entrevista coletiva nesta quarta-feira (2), detalhando medidas para mitigar os impactos do fenômeno climático, que deve elevar a temperatura do Oceano Pacífico em 2,7 graus.

Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, os dados da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam uma situação superior à de anos anteriores. A bacia do Rio São Francisco apresenta volume satisfatório, garantindo o bombeamento contínuo para o semiárido.

“Mesmo com o El Niño, é uma situação mais confortável do que outras situações mais graves de seca no Nordeste. Acho que essas obras estruturantes, como São Francisco, estão mostrando o seu papel e a sua importância para garantir água no semiárido”, afirmou a ministra

Para mitigar os efeitos na região, o Novo PAC prevê R$ 10,2 bilhões em segurança hídrica de 2023 a 2026, contemplando a recuperação de 162 barragens, novos reservatórios e instalação de 172 mil cisternas. Dos 358 açudes monitorados no Nordeste, menos de 40 estão com armazenamento crítico (abaixo de 10%).

No Rio Grande do Norte, o investimento é de R$ 1,2 bilhão, englobando as adutoras do Seridó Norte, do Agreste Potiguar e a Barragem de Oiticica. Localizada em Jucurutu, Oiticica é o segundo maior reservatório potiguar, com capacidade para 200 milhões de metros cúbicos, e recebeu mais de R$ 600 milhões.

Além das obras permanentes, a Operação Carro-Pipa segue como medida emergencial para áreas vulneráveis.

Entre as frentes de atuação do governo federal estão prevenção e combate a incêndios, medidas contra o desmatamento e financiamento climático, segurança hídrica, energia elétrica, dragagens, prevenção a desastres provocados por chuvas intensas e resposta a desastres.

No caso do RN, Oiticica e as adutoras do Seridó Norte e do Agreste Potiguar compõem as principais obras dessa estratégia. O conjunto de investimentos, segundo o governo federal, busca ampliar a capacidade de armazenamento e distribuição de água, oferecendo maior segurança hídrica à população potiguar.

Cenário de alerta no RN

Dados do Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) apontam que o volume acumulado nos reservatórios monitorados no estado está, em média, em torno de 50%.
Ainda assim, o Igarn afirma que o cenário requer atenção permanente e adoção de medidas de planejamento e segurança hídrica.

O Instituto afirma adotar “medidas rigorosas para a gestão dos recursos hídricos do Estado, com a realização de alocações negociadas e o controle criterioso das liberações de água dos reservatórios, em articulação com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico”.

Para o Igarn, a previsão de uma próxima quadra chuvosa com menores índices pluviométricos, além da tendência de temperaturas mais elevadas, pode resultar em maior evaporação nos reservatórios e aumento da demanda por água. O meteorologista Gilmar Bristot, chefe da Unidade Instrumental de Meteorologia da Emparn (Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN), explica que os possíveis impactos do El Niño no RN devem atuar no longo prazo.

No curto prazo – o segundo semestre deste ano – costuma chover pouco no estado, ou nem chove no interior. “As consequências diretas serão aumento da temperatura, principalmente no setor Leste do estado, e diminuição do vento no interior do estado”, explica.

Já a longo prazo, em 2027, as previsões indicam que o fenômeno deve comprometer o início do período chuvoso. “Vamos passar 2026 sem problemas, porque estamos com um armazenamento de água em torno de 50%, e com o consumo que nós teremos daqui para o final do ano, devemos chegar em torno de 30% a 35%. E isso vai trazer preocupação principalmente para a pecuária”, diz Gilmar Bistrot.

Segundo ele, o último El Niño “muito forte” no estado foi o evento 2015/16, com seca em 2015 no interior e seca em todo o estado em 2016. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

“Aqui no RN o impacto resultante desse fenômeno, que se propõe um dos mais fortes da história, seria uma redução acentuada na quantidade de chuvas. Nesse aspecto, a região mais atingida aqui do Estado seria a região do semiárido nordestino, que engloba mais de 95% do Estado”, diz Paulo Varella, secretário estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh-RN).

Segundo ele, a situação na região Seridó é mais sensível porque, com exceção da Barragem de Oiticica, que chegou a 75% de recarga, os outros reservatórios não receberam recarga expressiva. “A redução do padrão das chuvas implicará em impactos no abastecimento das cidades, porque haverá restrição de recarga dos açudes”, avalia.

Segundo ele, o Estado atua na recuperação de barragens, a conclusão da Barragem de Oiticica e a ampliação da infraestrutura de adutoras. “Além das grandes obras, estão sendo desenvolvidas ações para ampliar a disponibilidade de água”, diz o secretário.

Fernanda Bacalhau/Fernando Azevêdo-Repórteres

Tribuna do Norte

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