Economia

Inadimplência em Natal atinge menor nível desde 2015

Inadimplência em Natal atinge menor nível desde 2015

Inadimplência em Natal atinge menor nível desde 2015

Mesmo com a melhora dos indicadores, 235.368 famílias de Natal ainda possuem algum tipo de dívida.Em Natal, 83,2% das famílias possuem algum tipo de dívida; cartão de crédito é o maior vilão| Foto: Alex Régis

O percentual de famílias com contas em atraso em Natal caiu para 22,7% em maio, o menor índice de inadimplência para o mês desde 2015, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela CNC e analisada pelo Instituto Fecomércio RN (IFC). Apesar da melhora, 83,2% dos lares ainda possuem algum tipo de dívida, sendo o cartão de crédito a principal modalidade de endividamento.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a inadimplência atingiu 38,9%, a redução foi de 16,2 pontos percentuais. Com relação a abril de 2026, também houve queda de 1,8 p.p.

Mesmo com a melhora dos indicadores, 235.368 famílias de Natal ainda possuem algum tipo de dívida. Desse total, 32,5% apresentam um grau moderado ou elevado de comprometimento da renda. A pesquisa também identificou que 64.368 famílias possuíam contas em atraso em maio. Do total, a maior parte das pendências tinha até 90 dias de atraso.

Na avaliação do Instituto Fecomércio RN, a redução dos índices sugere que as famílias têm conseguido equilibrar melhor o orçamento, cobrindo as despesas do dia a dia e quitando parte das dívidas já contraídas.

O economista e educador financeiro Helder Cavalcanti avalia que o resultado observado em Natal reflete uma combinação de fatores econômicos de ordem conjuntural e estrutural.

“A capital possui uma economia fortemente baseada nos setores de serviços, comércio, turismo, administração pública e mercado imobiliário, atividades que mantiveram um nível razoável de dinamismo e geração de renda nos últimos anos”, avalia.

Conforme o presidente em exercício da Fecomércio RN, Gilberto Costa, a melhora dos indicadores também tende a gerar efeitos positivos para a economia local, ao ampliar o acesso ao crédito e estimular o consumo. “Quando mais pessoas recuperam sua capacidade de pagamento, ampliam-se as oportunidades de acesso ao crédito e de movimentação da economia, beneficiando empresas, trabalhadores e consumidores”, afirma.

Helder Cavalcanti explica que estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente, já que muitas famílias conseguem manter o pagamento das parcelas em dia. No entanto, quando o volume de dívidas compromete uma parcela significativa da renda, o risco de atrasos aumenta.

“A redução da inadimplência deve ser comemorada, mas o elevado percentual de famílias endividadas exige atenção permanente. O grande desafio é transformar o crédito em ferramenta de desenvolvimento e não em um fator de vulnerabilidade financeira”, afirma.

A faxineira Edilene da Silva venceu a inadimplência depois de enfrentar dificuldades para manter as contas em dia ao acumular parcelas no cartão de crédito. “Eu parcelei muitas coisas e acabei ficando em uma bola de neve. Parcelei a fatura, atrasei conta.”, relata.

A situação comprometeu parte da renda mensal da família e exigiu mudanças nos hábitos de consumo. Para sair da inadimplência, ela renegociou os débitos, reduziu gastos considerados supérfluos e passou a controlar melhor o orçamento.

Cartão de crédito lidera endividamento

O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento, presente em 83,5% dos casos, seguido pelos carnês, que aparecem em 17,2%, de acordo com a CNC.

Helder Cavalcanti avalia que os números devem ser observados com cautela. Segundo ele, a redução da inadimplência é um sinal positivo, mas não significa necessariamente que as famílias tenham solucionado os problemas financeiros de forma definitiva.

“O problema não está no cartão em si, mas na forma como ele é utilizado. A economia comportamental demonstra que as pessoas sentem menos “dor” ao gastar quando utilizam crédito em vez de dinheiro”, destaca Cavalcanti.

O economista considera que o percentual de dívidas no cartão também evidencia uma necessidade crescente de educação financeira. “Muitas pessoas sabem quanto ganham, mas não sabem exatamente quanto gastam nem qual é o limite sustentável de comprometimento da renda”, explica.

Tribuna do Norte

Gostou do conteúdo?! Compartilhe!
whatsapp button