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Muito além de um congresso: ExpoEduc transforma Natal em um dos principais centros do debate sobre educação no Brasil

Muito além de um congresso: ExpoEduc transforma Natal em um dos principais centros do debate sobre educação no Brasil

Muito além de um congresso: ExpoEduc transforma Natal em um dos principais centros do debate sobre educação no Brasil

Por três dias, Natal deixará de ser apenas um destino turístico conhecido pelas praias e pelo sol para assumir outro protagonismo: o de capital brasileira do debate sobre educação. Entre os dias 23 e 25 de julho, o Centro de Convenções receberá milhares de educadores, gestores, pesquisadores, estudantes, empresários e representantes de instituições públicas e privadas de diferentes estados para a sétima edição da ExpoEduc, consolidada como o maior congresso de educação do Norte-Nordeste e o segundo maior do Brasil.

Mais do que uma sucessão de palestras, a ExpoEduc tornou-se, ao longo dos últimos anos, um espaço de articulação entre conhecimento, inovação, cultura, empreendedorismo, inclusão e desenvolvimento econômico. Em torno da programação acadêmica, gravitam centenas de empresas, organizações da sociedade civil, universidades, redes de ensino e instituições públicas que enxergam na educação uma ferramenta capaz de impulsionar transformações que ultrapassam os limites da sala de aula.

A dimensão alcançada pelo evento impressiona. A expectativa da organização é receber cerca de 10 mil participantes por dia em uma estrutura de mais de 21 mil metros quadrados dedicada a palestras, feira de negócios, experiências imersivas, networking e apresentações culturais. Mais de 130 palestrantes nacionais estão confirmados, além de cerca de 150 marcas expositoras e uma programação distribuída por diferentes arenas temáticas.

Faltando poucos dias para a abertura, aproximadamente 90% dos ingressos já haviam sido comercializados, reflexo de uma procura crescente que acompanha a expansão do congresso desde sua criação. Para o CEO da ExpoEduc, Crislan Viana, esse crescimento acompanha uma mudança de percepção sobre o próprio papel da educação na sociedade.

“A ExpoEduc nasceu da inquietação de quem acreditava que o Rio Grande do Norte poderia liderar grandes debates nacionais sobre educação. Hoje percebemos que o congresso ultrapassou o formato tradicional de evento e se tornou um movimento permanente de construção coletiva, reunindo diferentes setores em torno de um objetivo comum: pensar a escola que queremos para o futuro.”

A estimativa da organização é de que a edição deste ano gere um impacto econômico de, pelo menos, R$ 44 milhões, beneficiando diretamente hotéis, pousadas, bares, restaurantes, transporte por aplicativo, táxis, comércio, empresas de eventos e diversos prestadores de serviço.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte (ABIH-RN), o turista de eventos permanece, em média, cinco dias no destino e tem um gasto diário superior ao do turista convencional. Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz, a ExpoEduc consolidou-se como um importante vetor de desenvolvimento para o estado. “Um evento desse porte movimenta diversos segmentos, gera oportunidades de negócios e fortalece o ambiente de inovação e conhecimento no Rio Grande do Norte.”

No setor de alimentação, o reflexo também é percebido. Presidente da Abrasel no Rio Grande do Norte, Thiago Haddad destaca que o congresso ajuda a reduzir os efeitos da sazonalidade enfrentada pelo segmento. “Quem vem para a ExpoEduc normalmente permanece mais dias na cidade, conhece restaurantes, visita pontos turísticos e movimenta diversos estabelecimentos. Em um período historicamente de menor fluxo turístico, o evento representa um importante estímulo para a economia local.”

Parceiro desde a primeira edição, o Sebrae RN acompanha de perto essa evolução. Para a gerente da Unidade de Soluções e Relacionamento da instituição, Thatiana Udre, a trajetória da ExpoEduc demonstra como a educação pode impulsionar inovação, empreendedorismo e desenvolvimento regional. Ao conectar educação, inovação e empreendedorismo, contribui para a construção de soluções capazes de gerar impacto econômico e social.”

Educação para responder aos desafios do presente

A edição de 2026 traz como tema “Escola pra quê? Construindo uma escola que supera os desafios da Educação 2030”.  Ao longo de três dias, especialistas de diferentes áreas discutirão assuntos que hoje fazem parte da rotina de escolas públicas e privadas em todo o país: inteligência artificial, aprendizagem, gestão escolar, desenvolvimento humano, liderança, criatividade, inovação, saúde emocional, parentalidade, formação docente e construção de ambientes educacionais mais inclusivos.

Entre os nomes confirmados estão a jornalista Fátima Bernardes, o comunicador Marcos Piangers, o maestro João Carlos Martins, a atriz Mayana Neiva, a especialista em políticas públicas Claudia Costin, o educador Marcos Meier, a escritora Bia Bedran, Eduardo Shinyashiki, Selma de Nieta e Roberta e Thaís Bento, do SOS Educação, entre outros convidados reconhecidos nacionalmente.

O Palco Max, principal espaço do congresso, reunirá as conferências de maior alcance. A tradicional Sala de Gestores ganha protagonismo ao oferecer uma programação exclusiva voltada a diretores, mantenedores e coordenadores pedagógicos, discutindo liderança, governança e inovação na gestão educacional.

Já a Arena Sebrae aproxima educação e empreendedorismo, enquanto a Arena Vortex direciona o olhar para inclusão, desenvolvimento humano e relações interpessoais — temas que passaram a ocupar posição central dentro das escolas brasileiras.

Neste ano, o congresso reúne 88 parceiros institucionais, entre órgãos públicos, universidades, empresas, entidades representativas e organizações ligadas à educação.

Entre eles estão sistemas de ensino, empresas de tecnologia, instituições financeiras, organizações culturais, universidades, órgãos governamentais e entidades empresariais que compartilham a proposta de fortalecer o debate educacional e incentivar a inovação.

Essa diversidade também se reflete na feira de expositores, considerada uma das maiores do segmento no Nordeste. Além de apresentar produtos e serviços, o espaço funciona como ambiente de networking, geração de negócios e aproximação entre escolas, fornecedores e profissionais da educação de diferentes regiões do país.

Muito além do palco: uma experiência que une cultura, inclusão, sustentabilidade e pertencimento

Quem participa da ExpoEduc não encontra apenas auditórios repletos de especialistas. Ao percorrer os corredores do Centro de Convenções, o visitante é convidado a experimentar diferentes formas de aprender. Arte, música, literatura, tecnologia, sustentabilidade e inclusão ocupam os mesmos espaços onde acontecem os debates sobre educação, reforçando uma ideia que permeia toda a proposta do congresso: aprender também é viver experiências.

Logo na cerimônia de abertura, essa proposta ficará evidente. Antes mesmo da primeira conferência, o Palco Max receberá o espetáculo inédito “Os Colecionadores de Chuva na Terra do Sol”, adaptado especialmente para a ExpoEduc e inspirado no universo do escritor André Neves.

Com direção artística de Marília Bandeira, o espetáculo utiliza música, teatro e dança para discutir pertencimento, memória e educação, mostrando como as manifestações culturais ajudam a construir identidades individuais e coletivas.

A trilha sonora reúne composições autorais e clássicos da música regional, incluindo obras de artistas potiguares como Babau e Carlos Zens, além da participação do cantor Roberto Cantor e da Companhia de Dança do Colégio Prince, grupo reconhecido nacionalmente pelas premiações conquistadas em festivais.

Ao longo dos três dias, apresentações musicais, intervenções artísticas, oficinas e performances ocuparão diferentes espaços da ExpoEduc, aproximando educadores de manifestações tradicionais da cultura popular nordestina. A ambientação do evento também reforça esse compromisso com a identidade local. As ruas internas da ExpoEduc recebem nomes de referências da cultura potiguar, como Câmara Cascudo, Dona Militana e Deífilo Gurgel, transformando a circulação dos participantes em uma permanente homenagem à memória cultural do estado.

Outro diferencial da ExpoEduc é a decisão de transformar o próprio evento em um laboratório vivo de sustentabilidade. Os participantes poderão acompanhar o funcionamento de um biodigestor que transforma resíduos orgânicos produzidos no evento em biogás e biofertilizante, demonstrando na prática conceitos como economia circular e reaproveitamento de resíduos.

Também haverá oficinas de papel reciclado, distribuição de mudas nativas, pontos de coleta para resíduos eletroeletrônicos e demonstrações de compostagem e vermicompostagem, aproximando educadores de iniciativas que podem ser reproduzidas posteriormente em escolas e comunidades.

Outro destaque será a participação da Associação Mãos Que Transformam, formada por catadores de materiais recicláveis, que fará a separação dos resíduos gerados durante o congresso. Já a ONG Farol da Sustentabilidade reutilizará parte das lonas empregadas na estrutura do evento para confeccionar estojos escolares destinados a estudantes da rede pública. 

O compromisso com uma educação mais inclusiva aparece não apenas nos temas discutidos pelos palestrantes, mas também na estrutura preparada para receber o público.

Toda a programação contará com intérpretes de Libras nas principais atividades, garantindo acessibilidade à comunidade surda. O espaço foi planejado para atender pessoas com mobilidade reduzida, com infraestrutura adaptada e circulação acessível em todos os ambientes.

As ações de inclusão também chegam ao acesso ao evento. Por meio do programa ExpoEduc Social, a organização disponibilizou 150 ingressos solidários destinados a pessoas que, sem esse apoio, dificilmente conseguiriam participar do congresso.

Outra iniciativa amplia ainda mais o alcance da ExpoEduc. Qualquer pessoa pode visitar gratuitamente a feira de expositores mediante cadastro prévio e doação de dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão destinados a instituições sociais. Ano passado, foram arrecadas mais de 4 toneladas de alimento. A meta esse ano é ampliar esse número. Os alimentos serão doados para o programa Mesa Brasil, do Sesc, e para o Banco de Alimentos da Prefeitura de Natal. 

Segundo Bruno Félix, um dos diretores da Expoeduc, essa dimensão social faz parte da própria essência do congresso. “Quando falamos em educação, falamos também em oportunidades. Queremos reunir diferentes realidades dentro do mesmo espaço porque acreditamos que a diversidade de experiências enriquece o debate e fortalece a construção coletiva do conhecimento.”

Tribuna do Norte

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