Economia

Novas regras do MCMV devem impactar demanda no mercado imobiliário do RN

Novas regras do MCMV devem impactar demanda no mercado imobiliário do RN

Novas regras do MCMV devem impactar demanda no mercado imobiliário do RN

Para o Sinduscon, a ampliação atende a uma demanda reprimida da classe média, que enfrentava entraves com a renda acima do teto | Foto: Adriano Abreu

As novas regras do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida entram em vigor a partir da próxima quarta-feira (22), ampliando os limites de renda para até R$ 13 mil e os valores de financiamento dos imóveis para até R$ 600 mil. Segundo o Governo Federal, as mudanças devem beneficiar cerca de 87,5 mil famílias no país. Para o setor da construção civil do RN, a elevação no patamar de renda e o ajuste nos valores de financiamento devem impactar positivamente a demanda por novos empreendimentos no RN.

O setor da construção civil avalia que a ampliação do programa é amplamente positiva. Gabriel Wanderley, conselheiro fiscal do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do RN (Sinduscon), destaca que “o programa tem sido o principal motor da produção habitacional nos últimos anos e fechou 2025 em um patamar recorde de contratações”.

De acordo com o conselheiro, além da ampliação dos tetos dos imóveis, o ajuste dos limites de renda em todas as faixas tem um efeito muito relevante. Famílias que antes estavam enquadradas em faixas superiores passam a acessar faixas inferiores, com juros menores. “Por exemplo, uma família com renda de R$ 4.900, que estava na Faixa 3, agora migra para a Faixa 2 e passa a ter juros de 6,50% ao ano, em vez de 7,66%. Isso representa um aumento direto da capacidade de financiamento e do poder de compra”, detalha.

Além disso, Gabriel Wanderley destaca que a ampliação também atende a uma demanda reprimida da classe média, que enfrentava entraves com a renda acima do antigo teto da Faixa 3 e não tinha acesso viável ao crédito tradicional, diante de uma taxa básica de juros que permaneceu em patamar elevado.

A inclusão de famílias com renda de até R$ 13 mil deve impactar a demanda por novos empreendimentos no RN em dois níveis: nas faixas 1 e 2, que contemplam Natal, Parnamirim, São Gonçalo, Macaíba e Extremoz; e também nas faixas 3 e 4 (com novos tetos de R$ 400 mil e R$ 600 mil), abrindo espaço para moradias em localizações mais valorizadas, segmento que vinha travado no RN pela dificuldade de acesso ao crédito SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).

“Natal tem um perfil demográfico favorável: uma capital com forte presença de servidores públicos, profissionais liberais e trabalhadores do turismo e serviços, muitos dos quais se enquadram na nova Faixa 4 (R$ 9,6 mil a R$ 13 mil)”, reitera Gabriel Wanderley. De acordo com o conselheiro, apesar da capacidade produtiva, o setor ainda tem três gargalos que merecem atenção: a falta de mão de obra qualificada; a morosidade dos processos de licenciamento e aprovação de alvarás e, por fim, a elevação nos custos de insumos materiais e logística.

Para o especialista, esses gargalos podem resultar em um reajuste no mercado. Isso acontece porque os valores atuais estavam defasados em relação aos custos reais das construtoras (o chamado INCC). Com a maior procura permitida pelas novas regras, os preços podem sofrer uma pressão pontual por até um ano e meio, mas a expectativa é de reequilíbrio assim que a oferta de novos imóveis acompanhar o ritmo das vendas.

“De toda forma, existem freios naturais. A Caixa mantém uma avaliação técnica criteriosa dos imóveis, com laudos que limitam financiamentos acima do valor de mercado, inviabilizando aumentos artificiais de preço”, conclui.

Conforme explica Moisés Marinho, diretor-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RN), essa mudança nos limites de renda poderá atrair um novo perfil de comprador. “Se tomarmos como base Natal, nos limites de Parnamirim e da zona Norte, se os imóveis ali custavam em torno de R$ 140 mil, R$ 180 mil, até R$ 240 mil ou R$ 280 mil, agora, com o teto de até R$ 600 mil, contempla-se uma faixa bem razoável e a classe média já vai ser atingida”, afirma.

Moisés reitera que as faixas 1 e 3, em média, oferecem apartamentos de dois quartos. No entanto, com o limite de até R$ 600 mil, os compradores com renda correspondente à faixa podem encontrar apartamentos de três quartos, por exemplo.

O presidente destaca os principais desafios para quem quer financiar um imóvel: “A renda compartilhada é algo que vai impactar, além do tempo de emprego e se a pessoa tem financiamento de um carro ou vários planos de saúde. Se o interessado tem a renda comprometida em 70%, precisará de flexibilidade, porque ainda existem os custos pessoais e com alimentação”, pontua.

Moisés enfatiza que a localização e a qualidade dos imóveis têm um impacto significativo na compra, mas reforça que o comprometimento de renda, problemas com bancos e a aprovação de crédito são os principais gargalos que os agentes levam em consideração.

Tribuna do Norte

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