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Operação investiga esquema de manipulação de filas do SUS em quatro cidades do RN

Operação investiga esquema de manipulação de filas do SUS em quatro cidades do RN

Operação investiga esquema de manipulação de filas do SUS em quatro cidades do RN

Foto: Divulgação/MPRN

Um esquema suspeito de manipulação de filas de consultas e exames do Sistema Único de Saúde (SUS) é alvo da operação Camarote SUS, deflagrada na manhã desta segunda-feira (26), no Rio Grande do Norte. As investigações apontam que vagas destinadas à população eram bloqueadas artificialmente e posteriormente direcionadas a pacientes específicos, desrespeitando a ordem de espera. Pelo menos 578 agendamentos e autorizações de atendimento foram identificados por meio de um usuário falso criado no sistema de regulação da saúde.

A operação investiga a atuação de três pessoas, entre elas dois servidores públicos e um empresário, além de uma empresa de assessoria em saúde. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Natal, Extremoz, Santana do Matos e Parnamirim. A ação foi conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), com apoio da Polícia Militar.

Segundo as investigações, o esquema teve início em 29 de agosto de 2022, quando os suspeitos teriam utilizado os dados de um paciente real para criar um perfil fictício no sistema informatizado de saúde. O usuário recebeu permissões administrativas que possibilitavam autorizar procedimentos, cancelar agendamentos e controlar a disponibilidade de vagas.

A partir desse acesso, o grupo teria passado a realizar marcações simuladas para bloquear horários de consultas e exames por até sete dias. Após esse período, os agendamentos eram cancelados e as vagas liberadas para pessoas previamente selecionadas, permitindo que esses pacientes fossem atendidos fora da ordem regular de espera.

Para acelerar o processo, os investigados também teriam utilizado programas de automação capazes de reservar e bloquear dezenas de horários em poucos minutos. O mecanismo permitia controlar a disponibilidade de atendimentos na rede pública sem seguir os critérios estabelecidos pelo sistema de regulação.

Investigação apura pagamentos para direcionamento de vagas

Além da manipulação dos agendamentos, o Ministério Público investiga suspeitas de transferências bancárias entre os envolvidos. A hipótese apurada é de que pagamentos eram realizados para garantir a marcação irregular de consultas e direcionar cotas públicas de atendimento a clientes específicos.

Relatórios de rastreamento digital identificaram acessos ao perfil falso a partir de computadores instalados em repartições públicas, residências e na sede da empresa investigada. Os investigadores também suspeitam que arquivos tenham sido apagados e que o usuário fictício tenha sido cancelado na tentativa de ocultar provas da atuação do grupo.

A apuração envolve suspeitas de inserção de dados falsos em sistema informatizado, modificação indevida de programa de computador, corrupção, desvio de cotas públicas, ocultação de bens e associação criminosa.

A operação Camarote SUS mobilizou quatro promotores de Justiça, dez servidores do Ministério Público e 16 policiais militares.

Tribuna do Norte

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