Saúde

Pacientes correm risco sem remédio para doença falciforme no interior do RN

Pacientes correm risco sem remédio para doença falciforme no interior do RN

Pacientes correm risco sem remédio para doença falciforme no interior do RN

Foto: Arquivo tn

O medicamento hidroxiureia está em falta nas regionais da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) de Mossoró e Pau dos Ferros. O remédio é usado no tratamento de pacientes com doença falciforme – cerca de 200 deles usam o serviço da Unicat no Rio Grande do Norte.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), o desabastecimento ocorreu por culpa da empresa licitada, que entregou menos remessas do medicamento do que o contratado. A pasta afirma que 61 pacientes das regionais de Mossoró e Pau dos Ferros usam hidroxiureia.

O medicamento passou oito meses em falta na Unicat, em Natal, mas chegou no começo de agosto. O remédio é redistribuído a partir da capital potiguar, sendo que as regionais devem pedir o seu envio. A reportagem apurou que a regional de Mossoró recebeu a hidroxiureia 500 mg em 6 de agosto, mas em quantidade insuficiente para suprir a demanda.

A Associação de Pessoas Portadoras de Anemia Falciforme do RN (APPAF-RN) acompanha essa situação e denunciou a falta do remédio em ofício enviado à Sesap-RN, ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica e às regionais.

Ingrid Êmanuela, vice-presidente da APPAF-RN, diz que é preciso o uso contínuo do medicamento. “O medicamento é indispensável no dia a dia, porque é o que faz o paciente ter uma vida próxima do que a gente chama de normal. O medicamento evita as crises dolorosas causadas pela doença falciforme e ameniza o risco de o paciente sofrer AVC”, explica.

De acordo com Ingrid Êmanuela, quatro pessoas morreram no RN por falta de medicamento durante os oito meses de desabastecimento. Durante esse período, muitos pacientes fizeram campanhas para comprar o remédio, que custa cerca de R$ 350, por conta própria. A APPAF-RN estima que cerca de 550 pessoas usem o medicamento no estado.

Ela conta que os pacientes conseguiram uma liminar judicial, em fevereiro, em que o juiz obrigou o Estado a disponibilizar o medicamento em até 10 dias. O medicamento só foi reposto em agosto.

Hoje, o estoque estadual está “sob risco”, diz a secretária-adjunta da Sesap-RN, Leidiane Queiroz. Segundo ela, o fornecedor entregou menos do que a quantidade licitada, alegando indisponibilidade na fábrica. A empresa sinalizou a possibilidade de entregar o medicamento na segunda quinzena de setembro.

A pasta afirma estudar medidas judiciais ou administrativas para garantir o abastecimento. “Temos um contrato, uma licitação, mas estamos tendo dificuldades para que o fornecedor garanta esse abastecimento. O estoque que a gente tem foi distribuído, mas numa quantidade menor”, explica a secretária-adjunta.

O cronograma de entrega depende apenas da empresa, diz. “Tem um contrato licitado, faturado, pago sem dívidas e uma empresa que não está entregando, alegando que não tem na indústria para essa distribuição”, afirma Leidiane Queiroz.

A hidroxiureia (ou hidroxicarbamida) é o principal medicamento modificador do curso da anemia falciforme. Ela age aumentando os níveis de hemoglobina fetal, o que impede que as hemácias assumam o formato de foice, reduzindo crises de dor, infecções e a necessidade de transfusões de sangue.

A doença falciforme caracteriza-se por uma alteração nos glóbulos vermelhos que, em vez de serem arredondados e flexíveis, adquirem uma forma de foice. Essa mudança dificulta a passagem do sangue pelos vasos sanguíneos, levando a complicações graves como dores intensas, anemia crônica, infecções frequentes, AVC, danos a órgãos e risco de morte.

No Brasil, essa é a doença genética hereditária hematológica mais comum.

Tribuna do Norte

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