Plataforma antecipa risco de crise financeira em famílias e empresas

Plataforma antecipa risco de crise financeira em famílias e empresas
Foto: Divulgação
A plataforma digital gratuita chamada Termômetro Financeiro pretende ajudar pessoas e empresas a identificar sinais de problemas financeiros antes que as dívidas se tornem difíceis de controlar. O sistema, lançado nacionalmente na segunda-feira (3), calcula o risco de uma crise no orçamento ou no caixa de uma empresa, com projeções de risco para horizontes de seis a 18 meses.
A ferramenta chega ao mercado em um cenário de endividamento elevado no país. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontam que 81,6% das famílias brasileiras estão endividadas. Desse total, 29,9% têm contas em atraso, e 12,2% afirmam não ter condições de pagar as dívidas.
O Termômetro Financeiro utiliza o chamado Índice de Risco de Colapso Financeiro (IRCF). A metodologia foi desenvolvida por Fernando Colares, empresário com mais de 30 anos de atuação no setor financeiro, contador e advogado que realizou estudos de caso elvolvendo o tema.
“Vivemos hoje um momento especial de crise econômica, onde mais de 80 milhões de pessoas e 8 milhões de empresas encontram-se vivendo o que chamo de estresse financeiro, mas que você pode chamar de endividamento crônico. Vi que seria o momento oportuno para divulgar a pesquisa que embasa minha tese de mestrado em curso”, destaca.
Fernando Colares, empresário. Foto: Divulgação
“O IRCF não usa como insumo principal o que já é sintoma tardio de crise (inadimplência consumada, protesto, execução judicial), mas sim fatores que, segundo a lógica da metodologia, tendem a se deteriorar antes desses sintomas aparecerem: geração de caixa, margem operacional, custo médio da dívida, comprometimento de renda/receita, reserva financeira e sinais de comportamento financeiro”, explica.
Fernando Colares ressalta que a tese por trás do índice é que esses fatores começam a piorar de forma silenciosa meses antes de a situação virar inadimplência formal. “É essa defasagem entre ‘o caixa já está pressionado’ e ‘a dívida já venceu e não foi paga’ que fundamenta a janela de antecipação”, afirma.
O levantamento apresentado pelos responsáveis pela ferramenta aponta cerca de 9 milhões de CNPJs negativados no país, sendo 8,5 milhões de micro e pequenas empresas. Juntas, elas acumulam mais de R$ 220 bilhões em dívidas. O setor de serviços concentra 55,6% das empresas negativadas, seguido pelo comércio, com 32,4%, e pela indústria, com 8,1%.
Segundo o contador, para pessoas físicas, o uso mais direto é o autodiagnóstico preventivo, para identificar sinais de pressão financeira, como endividamento crescente, redução de margem de segurança e comprometimento de renda.
No dia a dia, a plataforma atua como ferramenta de gestão para MEIs e PMEs sem controladoria própria. Já para grandes empresas, funciona como um alerta antecipado e complementar à análise financeira, ao incorporar riscos jurídicos e comportamentais.
Um uso específico e em desenvolvimento é o acompanhamento de empresas em recuperação judicial ou extrajudicial, utilizando o score e sua variação mensal como camada objetiva de verificação do Relatório Mensal de Atividades (RMA) elaborado por administradores judiciais, além de apoiar fintechs e instituições financeiras parceiras.
Fernando Colares destaca ainda que o IRCF não substitui profissionais, mas serve como instrumento técnico de apoio para “priorizar problemas, embasar renegociações de dívida, orientar reestruturações societárias ou financeiras e sustentar tecnicamente decisões jurídicas e estratégicas”.
O acesso às funcionalidades e ao diagnóstico básico da plataforma é totalmente gratuito e pode ser feito pelo site oficial termometrofinanceiro.com.br.
André Luís/Bruna Torres/Repórteres
Tribuna do Norte