Direito do Consumidor

Procon Saúde foca na redução da judicialização em Natal

Procon Saúde foca na redução da judicialização em Natal

Procon Saúde foca na redução da judicialização em Natal

De acordo com a diretora-geral do Procon Natal, Dina Pérez, o índice de 100% de resolução reforça o êxito da atuação. Foto: magnus nascimento

Criado em julho de 2025, o Procon Saúde, braço do Procon Natal, completa seu primeiro ano de funcionamento. O núcleo, pioneiro entre as capitais brasileiras, é especializado no atendimento de demandas relacionadas a planos de saúde e demais prestadores de serviços e atua na mediação de conflitos de consumo do segmento. O órgão alcançou a chamada “pauta zero”, registrando 363 demandas solucionadas e nenhuma pendência em tramitação no período. O serviço atende reclamações contra planos de saúde, hospitais, clínicas e laboratórios por meio da conciliação administrativa.

De acordo com a diretora-geral do Procon Natal, Dina Pérez, o índice de 100% de resolução reforça o êxito da atuação na esfera administrativa.

“O consumidor teve aquela demanda atendida e esse processo foi concluído para que houvesse uma finalização naquele procedimento administrativo. Então, de alguma forma, ele tem a resposta na mão”, explica a gestora.

Ela destaca que muitas situações são resolvidas preliminarmente, sem a necessidade de abertura formal de processo no sistema ProConsumidor.

A redução de processos judiciais é impulsionada por acordos de cooperação.

“Nós também firmamos um convênio com o Tribunal de Justiça justamente para evitar esse excesso de judicialização. […] Aquele acordo que é firmado a partir daquela demanda que nós formalizamos aqui, o próprio Tribunal de Justiça homologa”, afirma a diretora.

Ela aponta que o modelo também gerou colaboração com o Ministério Público. Para 2026, a meta do órgão é duplicar o volume de atendimentos e resoluções.

As principais queixas recebidas envolvem negativas de tratamento, aumentos unilaterais de mensalidades e recusas na realização de procedimentos. Para agilizar as soluções, o órgão estabeleceu contatos diretos com prestadores de serviço.

“Nós ligamos para essas pessoas, e isso acontece inclusive no sábado e no domingo, se a demanda chegar através do meu direct, eu mesma faço essas ligações e a gente resolve o problema. Se for durante a semana, aí sim, já entra no setor de fiscalização, que vai ao local resolver o problema do consumidor. Então, são tratativas que nós realizamos de forma muito prática, sem burocracia nenhuma e com total resolutividade”, destaca.

O chefe de fiscalizações do Procon Natal, Carlos Freire, ressalta que o fluxo de trabalho aumentou com a visibilidade do núcleo. Recentemente, a equipe realizou uma investigação no segmento de clínicas voltadas ao transtorno do espectro autista (TEA), fazendo um raio X das especificidades dessa demanda para melhor atender os consumidores.

“A gente foi entender um pouco o lado do consumidor e do prestador. A fiscalização do Procon, ela tem o ápice de acontecer sempre no local. Conseguimos identificar os problemas, fazer os relatórios, notificar ou fazer o auto de constatação, dependendo do caso”, detalhou.

Segundo Carlos Freire, as demandas de urgência e emergência e o cumprimento de prazos regulamentares da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) concentram parte expressiva das ações. Quando há negativa de cobertura em situações de risco, a fiscalização atua diretamente nos estabelecimentos para fazer cumprir as obrigações imediatas.

“Nessa cadeia hoje de plano de saúde, você vai ter o TEA, que é um mundo à parte, que é o público da complexidade, e você vai ter as negações de urgência e emergência, que acontecem demais”, pontua o chefe de fiscalizações.

Ele acrescenta que migrações de planos de saúde e o cumprimento de prazos de carência também geram conflitos frequentes na relação de consumo. Nos casos em que a conciliação administrativa não é obtida, o consumidor é orientado a recorrer ao Poder Judiciário com o suporte técnico do órgão.

As denúncias ocorrem pelo telefone (84) 3232-6189, pelo e-mail procon.natal@natal.rn.gov.br ou presencialmente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, na Rua Ulisses Caldas, nº 181, na Cidade Alta.

Tribuna do Norte

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