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Projeto promove acolhimento em UTIs neonatais através do artesanato

Projeto promove acolhimento em UTIs neonatais através do artesanato

Projeto promove acolhimento em UTIs neonatais através do artesanato

Polvos de crochê ajudam bebês prematuros a não tentar retirar a sonda. Projeto é voluntário e se mantém através de doações e de parcerias. Foto: Alex Régis

Em maternidades de Natal, polvos de crochê têm mudado a atmosfera das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Produzidos por artesãs potiguares, os objetos apresentam cores e características variadas, mas mantêm um mesmo objetivo: auxiliar no acolhimento dos bebês prematuros durante o período de internação. A distribuição dos animais é realizada pelo Projeto Octo Natal, desde 2018, que até o momento já distribuiu cerca de 8,5 mil polvos na capital potiguar.

A iniciativa integra o Projeto Octo, criado na Dinamarca em 2013. A arquiteta e embaixadora do projeto na capital potiguar, Andriza Giantomassi, de 50 anos, conta que conheceu a iniciativa por meio do marido, que é médico pediatra, e comentou com ela sobre o projeto nacional. Sem perder tempo, ela resolveu conversar com uma amiga que realizava crochês, tendo como objetivo avaliar a possibilidade de realizarem os polvinhos para a mobilização.

O desejo da embaixadora tinha uma motivação clara: “Meu marido sempre vinha para casa chateado porque as crianças tiravam muito a sonda do nariz e ficavam com a mãozinha solta e sem ter o que tocar. E os tentáculos do polvo lembram o cordão umbilical. Então, quando a criança põe a mãozinha neles, os profissionais apontam que isso diminui a frequência cardíaca”.

Após Andriza conversar com sua amiga na época, as duas entraram em contato com o Projeto Octo Brasil, onde receberam orientações e a receita para a produção dos polvinhos. Após produzirem o primeiro animal de crochê, resolveram apresentar a ideia na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC/UFRN), a primeira a acolher a iniciativa em Natal.

Com o tempo, o projeto foi ganhando espaço em outras unidades, incluindo a Unimed, Hapvida, Maternidade Delfin Gonzalez/Hospital Rio Grande e no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes. A embaixadora esclarece que cada Unidade é responsável pelo processo de esterilização dos polvos a partir dos próprios processos internos.

Entre os voluntários do projeto, além da responsabilidade na produção adequada dos polvos, Andriza Giantomassi explica que são distribuídas atividades técnicas e administrativas. Atualmente são 62 voluntárias no Estado, das quais 10 são crocheteiras ativas e seis participam da coordenação. Os encontros da equipe acontecem uma vez ao mês, na Casa do Zíper, parceria da iniciativa.

A embaixadora explica que o projeto não apresenta fins lucrativos e mantém a sustentabilidade por meio de doações e parcerias. A ajuda, muitas vezes, parte da própria comunidade médica: “Vários enfermeiros, médicos e fisioterapeutas adoram o projeto e abraçam a gente. Isso não acontece muito em outros estados, então aqui em Natal realmente é fora da curva”.

Há oito anos atuando no projeto voluntário, Andriza compartilha ter como combustível a alegria das famílias com bebês acolhidos pelo projeto. “Muitas mães mandam as fotos das crianças com cinco/seis anos, ainda com o polvinho. Então vemos o bebê minúsculo com o polvinho e, anos depois, esse mesmo polvo vira até tema de aniversário. Então são essas famílias que movem o projeto”, relata.

Para o terapeuta ocupacional Zilmar Filho, da MEJC/UFRN, o Projeto Octo Natal mostra como o cuidado com a saúde exige acolhimento e humanização. “Quando uma família tem um bebê prematuro internado, ela enfrenta um período muito delicado, cheio de expectativas, medos e desafios. O polvo de crochê acaba se tornando um símbolo de carinho e cuidado dentro desse contexto”, compartilha.

O especialista compartilha que no dia a dia da UTI Neonatal é comum observar muitos bebês interagindo com o polvo de crochê. Isso porque, uma vez que os tentáculos lembram o cordão umbilical, algo que fazia parte da vivência do bebê na gestação, o contato traz maior conforto e segurança.

“Além disso, mesmo sendo muito pequenos, os prematuros estão aprendendo sobre o mundo o tempo todo. Eles exploram através do toque, dos movimentos e das sensações. Quando seguram o polvo, estão exercitando justamente essas formas iniciais de interação com o ambiente”, explica o especialista.

Para participar do Projeto Octo Natal, basta entrar em contato com a iniciativa por meio do perfil do Instagram @projetooctonatal.

Tribuna do Norte

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