RN abre 31,4 mil pequenos negócios no primeiro semestre, alta de 12,6%

RN abre 31,4 mil pequenos negócios no primeiro semestre, alta de 12,6%
O estado ganhou 31.435 novas pequenas empresas na primeira metade deste ano, ante 27.901 entre janeiro e junho do ano passado.Matheus Rodrigues criou a Lumare Tour em fevereiro deste ano. Faturamento cresceu 300% em junho em relação a maio. Foto: Adriano Abreu
A abertura de pequenos negócios cresceu 12,6% no Rio Grande do Norte no primeiro semestre de 2026 no comparativo com o mesmo período de 2025. O estado ganhou 31.435 novas pequenas empresas na primeira metade deste ano, ante 27.901 entre janeiro e junho do ano passado. Os números incluem microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs).
Segundo dados fornecidos pelo Sebrae-RN, neste ano a abertura de novas EPPs foi a que mais cresceu proporcionalmente no primeiro semestre deste ano, com 1.202 registros – alta de 20,4% em relação ao mesmo período de 2025 (998). Em seguida, vêm os MEIs, com 23.618 registros no primeiro semestre de 2026, ante 21.269 em 2025, alta de 11%. Já a abertura de MEs foi mais tímida: cresceu 0,5% no comparativo (5.634 em 2025 e 5.664 em 2026).
Os dados ainda mostram que os pequenos negócios representam 88,3% das empresas ativas no RN, 58,11% dos estoques de empregos formais e cerca de 36,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Alinne Dantas, gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/RN, explica que os pequenos empreendedores possuem um perfil formado principalmente por trabalhadores autônomos e empreendedores individuais, com estrutura operacional enxuta, poucos empregados, faturamento reduzido e atuação voltada ao mercado local.
O levantamento do Sebrae aponta que logística e transporte, saúde e bem-estar, casa e construção, serviços de alimentação e educação são atividades onde os pequenos negócios se destacam. “São atividades nas quais o conhecimento técnico e o trabalho pessoal do empreendedor costumam ser o principal ativo do negócio”, afirma Alinne Dantas.
Foi o conhecimento adquirido ao longo de mais de 10 anos de atuação no setor de turismo que levou Matheus Rodrigues a criar a Lumare Tour, em fevereiro deste ano. A empresa oferece passeios completos para o litoral potiguar, está enquadrada como MEI, mas deve migrar para ME em breve, por causa do bom desempenho do faturamento.
“No mês passado, nosso faturamento cresceu 300% em relação a maio. E em julho, já faturamos 49% a mais do que em junho, mesmo faltando uma semana para o final do mês e em um período de baixa estação”, conta Matheus Rodrigues.
Ainda segundo os dados do Sebrae, o RN possui atualmente 301.460 negócios ativos de todos os portes, sendo 266.226 deles classificados como pequenas empresas.
“Entre as formalizações apresentadas no boletim para 2026, foram 31.070 pequenos negócios em um total de 32.004 empresas e organizações abertas. Isso corresponde a 97,1% das aberturas”, detalhou a gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/RN.
Apesar da importância, o mercado é cercado de desafios. “O acesso ao crédito é um dos principais gargalos, mas não se resume à inexistência de linhas financeiras. Os obstáculos incluem taxas de juros, falta de garantias, pouco histórico bancário, informalidade dos controles financeiros e dificuldade de demonstrar a capacidade de pagamento”, comenta Alinne Dantas.
O problema, ainda segundo a gerente, é particularmente relevante para o MEI, que normalmente mistura as finanças pessoais com as empresariais e possui menor capacidade de oferecer garantias. Para ela, o crescimento das formalizações não deve ser interpretado automaticamente como empreendedorismo exclusivamente por oportunidade. A predominância do MEI indica que parte expressiva desse movimento está relacionada à transformação do trabalho autônomo em atividade formal.
Além disso, ela destaca como motivações a busca de autonomia e flexibilidade profissional, geração ou complementação da renda familiar, formalização de uma atividade que já era exercida informalmente e identificação de oportunidades em serviços e mercados locais.
Principais atividades
Dentre as atividades com maior abertura nos primeiros seis meses deste ano no RN, segundo o Sebrae, destacam-se algumas como o comércio varejista de vestuário e tecidos (1.359 novas empresas), marketing e vendas (1.406), estética e beleza (1.782), além de restaurantes, bares e similares, a que mais se destacou, com 1.782 novas empresas.
De acordo com a Junta Comercial do RN (Jucern), no mesmo período foram fechados 18.104 pequenos negócios no estado, indicando um crescimento de 14,4% em relação ao mesmo recorte de 2025.
De acordo com Alinne Dantas, as dificuldades de gestão figuram entre os pontos críticos que podem levar ao encerramento dos pequenos negócios.
“Ausência de planejamento financeiro e capital de giro, formação inadequada de preços e desconhecimento dos custos e da margem de lucro costumam prejudicar. Uma pesquisa do Sebrae e do Banco do Nordeste identificou que a falta de dinheiro e de conhecimento sobre a atividade está entre as principais razões para o encerramento dos MEIs. Entre as micro e pequenas empresas, destaca-se a falta de retorno financeiro”, frisou.
O crescimento dos pequenos negócios no RN segue a tendência nacional. O país registrou a abertura de 2,9 milhões de pequenos negócios, entre microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas (MPEs), no primeiro semestre deste ano. O resultado é quase 12% maior do que a quantidade de pequenos negócios abertos no mesmo período em 2025 (2,6 milhões).
Felipe Salustino/Repórter
Tribuna do Norte