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RN é o 1º do Nordeste e 3° do Brasil em número de patentes em relação ao PIB

RN é o 1º do Nordeste e 3° do Brasil em número de patentes em relação ao PIB

RN é o 1º do Nordeste e 3° do Brasil em número de patentes em relação ao PIB

As sócias da MicroCiclo desenvolveram, a partir de pesquisas realizadas na UFRN, solução biotecnológica patenteada para o tratamento de resíduos oleosos industriais| Foto: Magnus Nascimento

O Rio Grande do Norte alcançou a primeira posição no Nordeste e a 3ª em todo o país no indicador de patentes do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, ficando atrás apenas de Rio Grande do Sul e Paraná. O indicador considera o número de patentes concedidas proporcionalmente ao tamanho da economia, com a contabilização de Patentes de Invenção, Modelos de Utilidade e Certificados de Adição para cada R$ 1 bilhão de PIB. No caso do RN, o índice ficou em 0,32, segundo o levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), com dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e da Tendências Consultoria. Os dados utilizados são referentes a 2024.

Os impactos da concessão de patentes se dão de maneiras variadas na economia de uma determinada região. Um dos exemplos reais no RN é a MicroCiclo, empresa que desenvolve misturas de bactérias selecionadas para descontaminar efluentes oleosos industriais. Carolina Fonseca, uma das sócias-fundadoras, explica que o negócio nasceu a partir de pesquisas que resultaram em uma concessão de patentes posteriormente.

“Tudo começou no Laboratório de Biologia Molecular e Genômica (LBMG) do Centro de Biociências da UFRN. Eu e minhas sócias nos encontramos em uma linha de pesquisa do pós-doutorado em que a gente trabalhava com a microbiota de reservatórios de petróleo”, diz. As pesquisas ocorreram entre 2015 e 2019. Na prática, o grupo fez uma seleção de bactérias com capacidade de degradar hidrocarbonetos, que que são componentes tóxicos do petróleo.

Em 2019, com o derramamento de óleo observado nas praias do Nordeste, o CNPQ elaborou um edital com vistas à criação de soluções que resolvessem o problema de contaminação. O grupo entrou com a solução para desenvolver um produto que tratasse o resíduo dentro da indústria, ou seja, antes de ele ser transportado.

“Em 2020, formalizamos a empresa e começamos a trabalhar nesse produto. Depois de uma série de testes, em 2023, escrevemos a patente de formulação e aplicação do produto, chamado MC1, tendo nós quatro (Carolina tem três sócias) como inventoras, e a UFRN como titular”, descreve Carolina Fonseca.

Em dezembro do ano passado, a patente foi concedida pelo INPI e o grupo entrou em negociação com a universidade para ter o licenciamento exclusivo da tecnologia patenteada. “Temos 24 meses para comercializar a patente”, explica a sócia.

Para a comercialização, no entanto, é necessária outra etapa: a da validação. Um teste feito junto a uma empresa mostrou que a solução conseguiu 95% de redução de óleo em um período de 30 dias, em um volume de 1.000 litros tratados, na comparação com igual quantidade não tratada.

Contemplada com edital da Finep, a MicroCiclo saiu dos laboratórios da UFRN e construiu a própria biofábrica, além de expandir o segmento de atuação para garantir a sobrevivência financeira da empresa. “Como ainda estamos na fase de comercialização [da patente], temos uma produção para venda de derivados da tecnologia patenteada, que são produtos para saneamento, caixa de gordura (chamado Bac Clean) e estamos desenvolvendo um produto para a carcinicultura. Lembrando que a combinação do tratamento do resíduo oleoso só foi patenteada porque ela não existia e não acontece na natureza. Então, as tecnologias derivadas são parecidas, mas não são as mesmas da patente”, esclarece Carolina Fonseca.

Hoje, a MicroCiclo, com sede em Ponta Negra, conta com dois funcionários, além das sócias. A empresa já integrou a incubadora do Metrópole Parque, da UFRN. A universidade é um dos principais polos de inovação e pesquisa do estado.

Jefferson Oliveira, diretor da Agência de Inovação (Agir), informou que a UFRN contabiliza atualmente 112 patentes concedidas e 421 pedidos de patente depositados.

“Somos a universidade com mais patentes concedidas entre as instituições das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. A UFRN possui um número elevado de pesquisadores desenvolvendo soluções tecnológicas para atender às demandas de empresas e da sociedade em geral. Apenas em 2025, a instituição firmou parcerias com empresas envolvendo a captação de mais de R$ 550 milhões para o desenvolvimento de tecnologias nas diversas áreas do conhecimento. Esses investimentos são destinados ao desenvolvimento de tecnologias que buscam aprimorar o processo produtivo ou alavancar o portfólio de produtos e serviços das empresas parceiras”, explica.

Outros destaques no Nordeste

Além do RN, no Nordeste os destaques no indicador de patentes do Ranking de Competitividade dos Estados do CLP são Paraíba (índice de 0,26) e Ceará (0,18). Rio Grande do Sul e Paraná, que estão na liderança e vice-liderança nacional tiveram, respectivamente, índices de 0,46 e 0,38.

Segundo o CLP, foram adotados quatro critérios de ponderação dos indicadores do ranking. O primeiro, penaliza com redução do respectivo peso os indicadores que mostraram alta correlação com os demais indicadores do mesmo pilar.

O segundo critério penaliza com redução do respectivo peso os indicadores com elevada variância, apurada com base no coeficiente de variação de Person (obtido pela razão entre o desvio padrão e a média). Por outro lado, a metodologia bonifica, com aumento do respectivo peso os indicadores para os quais o desempenho médio das UFs mostrou-se mais desfavorável em relação ao benchmark internacional no terceiro critério.

Por fim, a metodologia conta com consultas a especialistas de diversas áreas para avaliar se os pesos atribuídos são considerados consistentes.

Felipe Salustino/Repórter

Tribuna do Norte

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