Agricultura

RN prepara habilitação de mais duas fazendas para exportação de gado vivo

RN prepara habilitação de mais duas fazendas para exportação de gado vivo

RN prepara habilitação de mais duas fazendas para exportação de gado vivo

Segundo Guilherme Saldanha, a exportação poderá estimular o crescimento do rebanho potiguar e atrair novos investimentos.

Foto: Magnus Nascimento/TN

O Rio Grande do Norte prepara a habilitação de mais duas fazendas para ampliar a exportação de gado vivo pelo Porto de Natal. A informação foi divulgada pelo secretário de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape-RN), Guilherme Saldanha, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News Natal, nesta sexta-feira (30). Segundo ele, uma das propriedades está na fase final do processo de autorização.

Atualmente, o Estado conta com uma fazenda habilitada para essa atividade, o Confinamento São Pedro, localizado na região metropolitana de Natal. As outras duas propriedades estão em processo de habilitação, sendo uma delas em Alto do Rodrigues.

A ampliação da estrutura ocorre após os primeiros embarques de gado vivo pelo Porto de Natal, realizados nesta semana. A operação inaugural enviou 2.700 animais para a Arábia Saudita, com movimentação estimada em R$ 20 milhões. Um segundo carregamento, de aproximadamente 4 mil animais, foi programado para o Egito.

Durante a entrevista, Saldanha também anunciou a previsão de uma nova operação no fim deste ano. “O Confinamento São Pedro já vai ter um novo embarque. Está programado pro final de dezembro”, afirmou.

As Estações de Pré-Embarque são propriedades habilitadas para receber os animais antes da exportação. Nesses locais, o gado permanece em quarentena e passa pelos procedimentos sanitários exigidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelos países importadores.

Entre as exigências da operação está o cumprimento de procedimentos específicos para o transporte marítimo de animais vivos, com o objetivo de preservar o bem-estar animal. Uma dessas é a preparação de uma cama adequada para os animais durante a viagem, com materiais como palha de arroz e bagaço de cana-de-açúcar.

Pequenos produtores podem participar das exportações

Durante a entrevista, o titular da Sape afirmou que os primeiros embarques reuniram animais provenientes do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará, além de uma quantidade menor da Bahia. Todos passaram pela quarentena em território potiguar antes de seguir para o porto.

O secretário destacou que a atividade também pode beneficiar pequenos produtores rurais, inclusive aqueles que possuem poucos animais disponíveis para comercialização. “Teve um cara que vendeu uma rês. Onde é que esse cara ia ter a oportunidade de vender essa rês?”, questionou.

De acordo com Saldanha, algumas negociações de animais destinados à exportação alcançaram valores superiores aos que determinados produtores conseguiriam no mercado interno. A participação dos criadores, segundo o secretário, depende das características dos animais procurados pelos importadores. Entre as possibilidades estão bovinos de diferentes raças e animais mestiços.

Guilherme Saldanha, em entrevista ao Jornal da Manhã | Foto: Magnus Nascimento/TN

O secretário também informou que a propriedade deverá divulgar informações sobre as próximas quarentenas e os tipos de animais demandados pelos compradores internacionais.

Exportação pode estimular crescimento do rebanho potiguar

Outro ponto abordado na entrevista foi a possibilidade de crescimento da pecuária no Rio Grande do Norte. Segundo Saldanha, o Estado possui atualmente um rebanho de aproximadamente 1,4 milhão de cabeças.

O secretário reconheceu que a produção potiguar, isoladamente, ainda não teria capacidade para abastecer um grande número de embarques regulares. Entretanto, avaliou que a demanda internacional poderá estimular investimentos nas propriedades rurais e incentivar a ampliação do rebanho. “A gente tem boi aqui para encher um, dois, três navios. Mas dá para encher tudo? Não. O que eu quero é que a gente, com essa exportação, abra uma demanda gigante, especialmente para o Rio Grande do Norte”, afirmou.

A expectativa da Sape é que a consolidação das exportações pelo Porto de Natal amplie as oportunidades para pecuaristas, pequenos produtores, transportadores e trabalhadores portuários, além de estimular investimentos na cadeia produtiva estadual.

Tribuna do Norte

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