RN tem 2ª maior queda do país no tempo para abrir empresas

RN tem 2ª maior queda do país no tempo para abrir empresas
Clécio Souza abriu uma empresa de venda de calçados em setembro e diz que levou poucas horas para formalizar o negócio. Foto: Adriano Abreu
O Rio Grande do Norte registrou a segunda maior redução do Brasil no tempo médio necessário para abrir uma empresa no segundo trimestre de 2025. O prazo caiu 43,3% em relação ao trimestre anterior, passando para 17 horas, segundo o Mapa da Burocracia, elaborado pela Adobe Acrobat com dados do Mapa de Empresas do Ministério do Empreendedorismo e do Sebrae.
A queda no Estado ficou atrás apenas da registrada pelo Piauí, onde o tempo necessário para formalizar uma empresa recuou 50%. Apesar da redução, o Rio Grande do Norte aparece na 17ª posição entre os 27 estados em relação ao tempo de abertura, empatado com Paraíba e Rondônia.
Em Natal, o avanço foi ainda maior. A capital potiguar levou, em média, sete horas para formalizar uma empresa no segundo trimestre de 2025, uma redução de 56,3% em relação aos três meses anteriores.
O resultado coloca Natal na 13ª posição entre as 27 capitais. A capital potiguar também registrou a segunda maior redução no tempo de abertura entre as capitais brasileiras no período. Teresina teve a maior queda, de 65%.
Segundo Cátia Lopes, gerente de Políticas Públicas do Sebrae-RN, a redução do tempo médio de abertura de empresas no estado está relacionada à aceleração dos processos nos municípios. “Natal tem o menor tempo de abertura do Estado, o que ajuda muito, porque em Natal é tudo automatizado”, afirma.
De acordo com Cátia Lopes, um dos fatores que tornam a abertura mais rápida na capital é a automatização da consulta de viabilidade. O sistema utiliza georreferenciamento para verificar se determinada atividade pode funcionar no endereço informado pelo empreendedor.
Para a gerente, reduzir o tempo de abertura tem impacto direto na competitividade e na capacidade de atração de investimentos. “Quanto mais tempo o empreendedor precisa esperar para iniciar as atividades, maior é o período em que deixa de faturar, gerar empregos e contribuir para a arrecadação”, revela.
Clécio Souza abriu uma empresa de venda de calçados em setembro de 2026. Ele conta que o processo de formalização foi mais rápido do que esperava. “Não existiu muita burocracia não, foi tudo muito rápido, até me surpreendi”, disse Clécio, que é vigilante e aproveita as horas vagas para se dedicar à empresa. Atualmente, o negócio funciona de forma online. Ele adquire mercadorias com um fornecedor no bairro Alecrim. “Eu pedi ajuda do Sebrae e no mesmo dia, umas 4 horas, já tinha dado tudo certo”, conta.
De acordo com Marcelo Oliveira, secretário de Finanças de Natal, um dos principais avanços na cidade ocorreu na consulta de viabilidade, que passou a ter análise automática nos casos que podem ser decididos a partir de regras previamente definidas.
“O sistema passou a realizar automaticamente a análise dos casos que podem ser decididos com base em regras previamente parametrizadas, reduzindo a necessidade de intervenção manual e acelerando a resposta ao empreendedor”, explica.
O processo de abertura também é integrado à Redesim, conectando Receita Federal, Junta Comercial e Prefeitura. O Directa recebe eletronicamente as informações, realiza o processamento municipal e permite etapas como o cadastramento automático da empresa e a geração da inscrição municipal após a emissão do CNPJ.
A Sefin pretende ampliar a automação para reduzir ainda mais o tempo de resposta. A meta, segundo o secretário, é automatizar 100% das consultas de viabilidade que possam ser decididas com base em critérios objetivos, deixando a análise humana concentrada nos casos excepcionais.
Segundo os dados da Sefin, Natal registrou 2.297 novas empresas em 2024 e chegou a 3.444 em 2025, crescimento de 49,9%. Entre os Microempreendedores Individuais (MEIs), as aberturas passaram de 1.373 para 2.259 no período, alta de 64,5%.
Abertura de empresas cresce 45% em seis anos
Para o presidente da Junta Comercial do RN (Jucern), Carlos Augusto Maia, os números mostram que a desburocratização tem produzido efeitos tanto na quantidade de novos negócios quanto na agilidade dos processos.
O Estado passou de 37.312 empresas abertas em 2019 para 54.124 em 2025, enquanto o tempo médio de registro caiu de 58 horas e 15 minutos para 22 horas e 25 minutos no período. “Para quem quer empreender, reduzir o tempo gasto com burocracia significa poder começar a trabalhar mais rapidamente”, afirma Carlos Maia.
Apenas de janeiro a agosto de 2026, foram constituídos 41.006 novos negócios no RN, segundo a Jucern. “O poder público pode contribuir retirando obstáculos administrativos e tornando esse caminho mais simples para o empreendedor”, destaca.
Tribuna do Norte