Saldo de empregos no RN tem pior 1º semestre desde 2020

Saldo de empregos no RN tem pior 1º semestre desde 2020
Apesar do desempenho abaixo no 1º semestre, agentes econômicos projetam melhora no cenário para a 2ª metade do ano. Foto: Magnus Nascimento
O mercado formal de trabalho potiguar registrou sinais de desaceleração no primeiro semestre de 2026 e o pior resultado para o período desde 2020. O Rio Grande do Norte teve um saldo positivo entre janeiro e junho de 2026, mas gerou apenas 716 vagas com carteira assinada, resultado de 122.902 admissões e 122.186 desligamentos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados na quarta-feira (29).
O desempenho representa uma queda de 89,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo havia sido de 6.744 empregos. Apesar de ser positivo, o resultado semestral foi o pior para um 1º semestre desde 2020 (-20.020 vagas). Em 2021 foram 9.874; em 2022, 7.312; em 2023, 6.080 e em 2024, 13.267.
Em 2026, o resultado foi puxado pelo saldo dos setores de serviços (+4.620), construção (+1.174) e comércio (+588). Por sua vez, foram negativos os resultados da indústria (-1.133) e agropecuária (-4.527). Na comparação com o primeiro semestre de 2025, o resultado do setor industrial despencou, passando de +2.508 para -1.133. O desempenho de agropecuária, construção e comércio também foi pior em 2026. Apenas o setor de serviços melhorou neste ano.
O economista Ricardo Valério, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), avalia que o Brasil e o RN enfrentam um processo de desaceleração na geração de empregos. “Nenhum país consegue manter o processo permanente de crescimento de emprego como vinha ocorrendo no Brasil, de quase pleno emprego”, observa.
Segundo ele, a comparação negativa de 2026 frente a 2025 ocorre devido a fatores como a alta dos juros e dos custos de produção, além de possíveis reflexos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.
“Houve a queda das exportações no RN das balas e pirulitos, do pescado e do sal marinho, entre outros produtos, o que causou retração dos setores da construção civil, comércio e o setor industrial”, diz o economista.
Ainda segundo ele, apesar do fraco desempenho este ano, as perspectivas para o segundo semestre são positivas. “Afinal, o nosso varejo está crescendo 1,4%, o nosso turismo teve um crescimento recentemente, e o nosso pescado, as castanhas de caju e o petróleo estão [isentos de sobretaxas nas] exportações [aos EUA]”, diz o economista.
O Boletim do Emprego elaborado pelo Sebrae-RN com base nos dados do Novo Caged aponta que os pequenos negócios sustentam o emprego formal no estado. No acumulado de 2026, as micro empresas criaram 6.758 postos formais, enquanto pequenas perderam 436; médias fecharam 2.585; e grandes, 3.021.
“Os pequenos negócios possuem grande capilaridade, estão presentes em praticamente todos os municípios e respondem mais rapidamente às oportunidades de mercado”, explica Zeca Melo, superintendente do Sebrae-RN.
Para ele, o resultado do semestre acende um alerta e “confirma uma perda de dinamismo do mercado de trabalho que vem sendo observada desde o último trimestre do ano passado”.
A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que o baixo dinamismo da economia potiguar registrado em 2026 decorre da combinação de fatores conjunturais e estruturais. “Houve desaceleração de setores tradicionalmente importantes para a geração de empregos […] Soma-se a isso um ambiente de custos elevados, juros ainda altos, maior cautela dos empresários para investir e incertezas relacionadas às condições climáticas”, diz a entidade.
O saldo de mais de 4 mil empregos fechados na agropecuária pode ser analisado a partir das características próprias do setor. Além da sazonalidade das safras, quando colheitas acabam e caem as contratações temporárias, a Faern diz que o comportamento em 2026 “foi agravado por fatores como custos de produção elevados, dificuldades de acesso ao crédito, efeitos das condições climáticas e maior cautela dos produtores diante das incertezas econômicas”.
Para Zeca Melo, o segundo semestre deve trazer melhorias na geração de empregos. “O fortalecimento da atividade turística, impulsionado pelas férias, pelos eventos e pela alta estação, tende a beneficiar principalmente serviços, hospedagem, alimentação e comércio”, aponta.
Saldo acumulado no 1º semestre
2020: -20.020
2021: 9.874
2022: 7.312
2023: 6.080
2024: 13.267
2025: 6.744
2026: 716
Fonte: Novo Caged
Fernando Azevêdo/Repórter
Tribuna do Norte