Saúde

SUS inicia troca gradual de insulina oferecida no Estado

SUS inicia troca gradual de insulina oferecida no Estado

SUS inicia troca gradual de insulina oferecida no Estado

A Sesap reiterou que a Unicat possui dados de consumo relativos aos insumos ofertados. Foto: Magnus Nascimento

O Ministério da Saúde deu início à substituição gradual da insulina NPH pela insulina glargina na rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento é voltado para crianças e jovens de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos a partir de 70 anos com diabetes tipo 1 ou 2.

Até a terça-feira (21), foram distribuídos cerca de 383 mil tubetes do medicamento para todo o país, dos quais o Rio Grande do Norte, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), recebeu 7.243 tubetes e 1.979 canetas reutilizáveis de aplicação. De acordo com a pasta, a insulina glargina começará a ser enviada no final do mês de julho para as regionais de saúde e municípios, além de prever o envio de mais doses ao longo dos meses.

A Secretaria destaca ainda que os pacientes deverão passar por nova consulta e avaliação para proceder à migração para a insulina glargina, além de se enquadrarem na faixa etária estabelecida para o recebimento na Atenção Primária à Saúde (APS). “A migração não se dará de forma imediata. O medicamento estará disponível para esse público e, à medida que forem sendo atendidos nas unidades de saúde, as prescrições serão feitas com a nova insulina”, informa.

O acesso ao medicamento é gratuito e ocorre por meio da Atenção Primária à Saúde. Para realizar a migração, o paciente (ou seu responsável) deve apresentar a receita médica atualizada em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). No local, uma equipe multiprofissional avaliará o quadro clínico para liberar a troca e fornecer orientações sobre o armazenamento.

À TRIBUNA DO NORTE, a Sesap reiterou que a Unicat possui dados de consumo relativos aos insumos ofertados, considerando que o atendimento dos pacientes ocorre de fato nos municípios. “O número de pacientes no RN está sendo acompanhado pela área técnica da Atenção Primária à Saúde (APS). O Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) tem feito capacitações das equipes por meio de apoiadores para viabilizar a transição, inclusive no RN”, conclui.

A presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Rio Grande do Norte (SBEM-RN), Anna Karina Medeiros, explica que a insulina glargina é superior à NPH. “A maior durabilidade da glargina, que requer apenas uma aplicação ao dia para a maioria dos pacientes, é uma das principais vantagens. Mas a maior vantagem da glargina é a previsibilidade na ação e o menor risco de hipoglicemias (queda da glicose) e hiperglicemias (picos de glicose)”, destaca.

A endocrinologista pontua que a NPH é uma insulina muito imprevisível e que é comum o paciente ter picos de glicose no mesmo dia. Além disso, segundo a especialista, a glargina melhora a qualidade de vida dos pacientes e de quem a administra. “O horário de aplicação é flexível, o que permite que o horário se adapte à rotina do paciente e/ou de quem administra a insulina. Além disso, menos hipoglicemias noturnas significam um sono mais tranquilo e menos estresse para o paciente e familiares”, revela.

Anna Karina destaca que a medicação não é novidade, mas que antes havia muita burocracia e falta desses insumos. “Foi um ganho muito grande a medicação ser distribuída num posto de saúde. Então, na hora que distribuir no posto de saúde, você descentraliza. Imagine um paciente que mora lá em Emaús. Ele vem pegar uma medicação lá na Unicat. Ele vai ter acesso à medicação no posto de saúde porque o médico do posto de saúde já vai prescrever”, afirma.

Diabetes na prática

Para quem convive com o diabetes, seja tipo 1 ou 2, cada avanço relacionado à área da saúde é uma conquista. Sarah Beatriz, de 12 anos, convive com diabetes mellitus tipo 1 desde os 9 anos e utiliza o Instagram (@sarahesuashistorias) para desmistificar a doença para crianças e adolescentes com DM1 recém-diagnosticados. Ao lado do pai, o corretor de imóveis Marcos Arcanjo, de 52 anos, da mãe, a designer de sobrancelhas Geane Monteiro, de 48 anos, e da irmã de 25 anos, a maquiadora Mel Monteiro, a família participa ativamente de grupos de apoio cujas mães se intitulam “mães-pâncreas” e “mães-esclerosada” para dividir os anseios e cuidados com os filhos.

No início do tratamento, segundo a designer, Sarah enfrentou diversos preconceitos, pois as crianças que não compreendiam a doença achavam que o diabetes era contagioso. “Você vê seu filho passar por tudo aquilo, é muito complicado”, conta.

A “mãe-pâncreas” destaca ainda que, por vezes, a falta de insumos e de acesso à insulina pela rede pública fez com que sua família buscasse a compra de aparelhos glicêmicos menos invasivos do que os que exigiam retirar uma pequena quantidade de sangue para medir a glicemia, além de adquirir a bomba de insulina, que auxilia na manutenção dos níveis de insulina ao longo do dia.

“Eu passei no início por tudo que todas as mães passam, que são as madrugadas em claro, porque às vezes você vai dormir, vai lá e tem que verificar quanto está a glicemia. Nas madrugadas acontece muito isso. Então, às vezes, do nada ela baixa [a glicose]. E, se ela tem uma hipoglicemia e a gente não perceber, se for uma hipoglicemia severa? Ela pode ter uma convulsão, ter uma morte súbita. A gente começa a passar as noites em claro”, relembra.

Há seis meses, Sarah faz uso da glargina após judicialização na rede privada. A menina teve uma melhora em seu cotidiano, mas isso ocorreu em função das dificuldades enfrentadas. “Sarah levava tantas furadinhas no dedo que os dedinhos dela eram tudo roxos […] Houve casos em que eu consegui ir lá comprar a insulina, muitas vezes porque faltava lá no SUS. E eu fico pensando: ‘Senti na pele o que aquela mãe que não pode comprar insulina para o seu filho passa’”, ressalta.

Geane Monteiro finaliza ressaltando que o acesso aos insumos salva vidas, mas que ainda é uma dor para diversas famílias. “O mais difícil é quando você não pode comprar, vê faltar a insulina e sabe que é algo necessário para sua filha ou filho sobreviver”, conclui.

Tribuna do Norte

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